quinta-feira, dezembro 06, 2012

Bupropiona

Bupropiona



As imunoaminas dopamina e noradrenalina têm a sua recaptação inibida pelo antidepressivo bupropiona. Esta droga é usada principalmente no tratamento da depressão e no combate à dependência da nicotina.
Nas situações de utilização de antidepressivos do tipo IMAO irreversível, a bupropiona está totalmente contra-indicada pelo perigo de poder desencadear uma crise hipertensiva. A bupropiona encontra-se também contra-indicada em doentes epilépticos por poder desencadear uma crise convulsiva em doses altas. Outra contra-indicação ao uso da bupropiona é um enfarte de miocárdio recente.
A bupropiona é de administração oral e excreção pela urina. A metabolização da bupropiona é feita no fígado ligando-se às proteínas em 84% da sua concentração e apresentando uma semi-vida de 21 horas. 
A bupropiona pode causar, como efeitos laterais, insónia, ansiedade, tremor, hipertensão, irritabilidade, inquietude, agitação, catatonia, ansiedade, alucinações, delírio, emagrecimento, ondas de calor, hipersudação, sensação de calor no corpo, náuseas, boca seca, amnésia e dificuldade de encontrar a palavra certa. Outros efeitos laterais da bupropiona são a rara característica de causar hipotensão postural, sonolência diurna, aumento de peso e efeitos anticolinérgicos.
A retirada da bupropiona não causa síndrome de abstinência.
A absorpção da bupropiona por via oral apresenta uma boa absorpção e verifica-se um pico plasmático às 2 horas após a tomada da droga.

Os níveis séricos de αTNF, γ-interferão e IL-1β são fortemente diminuídos pela acção da bupropiona.
Na doença de Crohn, a patologia é mediada por citoquinas pro-inflamatórias como a α-TNF ou a γ-interferão ( JAK 1 e JAK 2 estão implicados na sinalização emanada pelo γ-interferão ) . Paralelamente à diminuição dos níveis de αTNF, γ-interferão e IL-1β, a bupropiona aumenta a concentração da IL-10. A bupropiona é bem tolerada e possui efeitos laterais muito menos acentuados que a prednisolona, azotioprim, infliximab ou metrotexato.

Vitamina D pode combater a doença de Crohn

Vitamina D pode combater a doença de Crohn



A primeira linha de defesa do organismo contra invasores microbianos é constituída pelo sistema imune inato.

Um defeito imune inato na movimentação das bactérias do intestino é o responsável por uma resposta inflamatória que é a causa de uma condição auto-imune denominada doença de Crohn. A vitamina D actua de forma directa sobre o gene beta-defensina 2 ( as beta defensinas são as produzidas no cólon ) codificador de um peptídeo anti-microbiano, e sobre o gene NOD2/CARD15 que dá o alerta de invasão microbiana, sendo ambos os genes associados à doença de Crohn. Se o gene NOD2/CARD15 é deficiente ou defeituoso, o combate aos invasores do tracto intestinal não pode ser efectuado.
A vitamina D, para além de ter acção no tratamento de doentes com doença de Crohn declarada, também tem importância na prevenção dessa doença sendo assim, particularmente útil em irmãos saudáveis de doentes com doença de Crohn.


Vitamina C

Vitamina C




O ácido ascórbico, também chamado de vitamina C ou ácido l-xiloascórbico, tem uma semi-vida de 13 a 40 dias, uma acidez de 4.17, mostrando-se solúvel em água mas pouco solúvel em solventes orgânicos. Este composto é utilizado na hidroxilação de várias outras moléculas, em reacções bioquímicas que se originam nas células. A principal função da vitamina C é a hidroxilação do colagéneo, a proteína fibrilar responsável por conferir a resistência aos ossos, dentes, tendões e paredes vasculares. A vitamina C transforma os radicais livres de oxigéneo em formas inertes, sendo assim um antioxidante poderoso. A vitamina C também participa na síntese de neurotransmissores e hormonas.
Temperaturas altas por um período de tempo prolongado destroem a vitamina C. Em alimentos frescos guardados por longo período de tempo, a vitamina C sofre oxidação irreversível que causa a perda da sua actividade biológica. 
 A vitamina C encontra-se fundamentalmente na forma de ascorbato no meio intracelular e ao pH habitual. A desidratação da prolina do colagéneo é uma das mais importantes funções da vitamina C. Para manter a estrutura tridimencional correcta, o colagéneo necessita de ter resíduos de prolina desidratados, sob a forma de hidroxiprolina. Esta hidroxilação da prolina é feita pela acção da enzima prolil-4-hidroxilase. A acção do ascorbato nesta hidroxilação não é feita de forma directa, sendo que a redução do ferro férrico ( Fe3+ ) é necessária, participando na catálise enzimática, passando a ferro ferroso ( Fe2+ ).
Na desintoxicação do peróxido de hidrogéneo tem acção o ascorbato, tendo esta reacção a enzima ascorbato peroxidase como catalizador, capaz de reduzir o peróxido de hidrogéneo a água sendo o redutor o ascorbato.

As acções da vitamina C, em doses moderadas, no organismo humano são:
- auxilia na formação dos ossos e dentes
- aumenta a resistência às doenças
- previne doenças infecciosas e fraqueza muscular, particularmente em doentes com escorbuto
- ajuda o sistema imunológico e a respiração celular
- estimula as supra-renais e protege os vasos sanguíneos
- a vitamina C tem papel importante no normal funcionamento dos leucócitos
- é um importante suplemento no tratamento de neoplasias

O ácido ascórbico ( vitamina C ) aumenta a geração de 5hmC por actuar como cofactor de TET 2.

A carência da vitamina C provoca a sua avitaminose designada por escorbuto.
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A vitamina C é um composto muito instável que reage com o oxigéneo do ar, com a luz e até mesmo com a água. É destruída de forma rápida uma vez feita a sua exposição. A vitamina C da fruta reage e desaparece em menos de 1 hora.

Probióticos

Probióticos


Lactobacillus acidophillus, um probiótico frequente constituinte de iogurtes, possui uma enzima capaz de aumentar, na mucosa intestinal, a reacção inflamatória. Desencadeia, também, a síntese de uma molécula imunológica benéfica, a IL-10m, reguladora do sistema imunológico.

Os probióticos actuam por influenciarem o sistema imunológico, estimulando as células imunológicas protectoras ou bloqueando actividades prejudiciais das células imunes.

A interacção da microflora intestinal, epitélio intestinal e células imunológicas do hospedeiro actuam na manutenção imunológica da homeostasia intestinal. Disfunção imunológica que leva à inflamação característica das DII é resultado da desregulação daquele equilíbrio. As citoquinas pró-inflamatórias jogam um papel primordial neste processo inflamatório, iniciando a diferenciação das células patogénicas Th1 CD4+, que estão muito envolvidas na DII e particularmente na doença de Crohn.
A doença é mitigada pela inibição das células Th1 CD4+

A IL-23, à semelhança do que acontece com a IL-2, também está implicada no desenvolvimento de várias patologias auto-imunes, entre as quais se incluem as DII.
Os probióticos são capazes de produzirem lactocepina, enzima capaz de degradar, de forma selectiva, mediadores inflamatórios em tecido doente, as quimiocinas*.  As quimiocinas, como parte da resposta "normal" imune, são necessárias na orientação das células de defesa para o local da infecção. Nas doenças crónicas, como por exemplo na doença de Crohn, funciona de modo incorrecto o mecanismo de defesa contra os agentes infecciosos. Quimiocinas, como a IL-10, por impedirem a cicatrização dos tecidos, têm acção na lesão tecidular devida a processos inflamatórios crónicos.


*As quimiocinas fazem parte de uma família especializada de citocinas, que funcionam como potentes mediadores ou reguladores da inflamação, pela habilidade de recrutar e ativar subpopulações específicas de leucócitos. As quimiocinas são uma grande familia de citocinas estruturalmente homólogas que estimulam o movimento dos leucócitos e regulam a migração destes do sangue para os tecidos, são citocinas quimiotáticas, além de estimular a produção de novas citocinas e auxiliar em diferenciações celulares. As quimiocinas envolvidas em reações inflamatórias são produzidas por leucócitos ou células residentes do local da inflamação, em resposta a estímulos externos, e as quimiocinas que regulam o tráfego celular através dos tecidos são produzidas constitutivamente por várias células nesses tecidos

Messalazina

Messalazina


Um medicamento muito utilizado no tratamento da doença de Crohn é a messalazina. Tem, no entanto, um problema muito comum que é o facto de muitas vezes o comprimido ser eliminado praticamente inteiro pelas fezes, indicando que há má absorpção desta droga. Quando estes comprimidos são ministrados sob a forma de sachê com microgrânulos ( Pentasa ), a absorpção é muito melhor.

A messalazina é um anti-inflamatório local capaz de actuar na parede intestinal, sendo a sua actividade terapêutica dependente do contacto da droga com a parede intestinal inflamada. Quando administrada sob a forma de grânulos de acção prolongada, a sua libertação é contínua, no tracto gastrointestinal independentemente do pH intestinal presente.
Após administração de messalazina por via oral, os grânulos chegam ao duodeno ao fim de 1 hora, independentemente de administração de alimentos. O tempo médio do trânsito intestinal é de 3-4 horas. O tempo médio de início de efeito é individual uma vez que depende de pessoa para pessoa o tempo do peristaltismo intestinal. Este tempo de início de acção também depende do local das lesões, sendo tanto mais rápido o início quanto mais proximal for a doença.

Infliximab

Infliximab




Os "mab" eram, até há pouco tempo, considerados os únicos capazes de manter alfa-TNF em concentrações baixas. Actualmente sabe-se que o princípio activo bupropiona também consegue esse objectivo pela sua capacidade de aumentar as concentrações intra-celulares do cAMP que, por sua vez, baixa o alfa-TNF. A bupropiona tem a vantagem sobre o infliximab de ser barato, seguro e fácilmente se obtem no mercado.
O tratamento com infliximab mostra-se muito eficaz para as fístulas perianais. O infliximab  tem uma eficácia superior no controlo de fístulas externas e, particularmente, nas perianais comparativamente com outros tipos de fístulas.

Doença de Crohn - IL-27

Doença de Crohn - IL-27



A IL-27 foi identificada como sendo uma molécula capaz de parar o processo inflamatório, resultando no final no bloqueio de várias patologias auto-imunes, entre as quais se inclui a doença de Crohn. Esta descoberta pode ter implicações relevantes nos doentes com doença de Crohn a fazerem imunossupressores.
A IL-27 é uma interleuquina necessária à formação das células T reguladoras ( Tregs ), células estas capazes de pararem vários tipos de inflamações e que normalmente mantêm uma cobertura em resposta inflamatória durante infecções. A IL-27 utiliza a via JAK-STAT de sinalização, necessitando da activação JAK 1, JAK 2 e TYK 2.
A supressão da inflamação, para além de ser uma capacidade da IL-27, também é uma capacidade do alfa-interferão ( alfa-INF ) que utiliza a via JAK-STAT de transdução de sinal pelo JAK 1 e TYK 2.
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A sintomatologia da DII é prevenida e aliviada, comprovadamente, pelo exercício físico, que tem também acção na melhoria dos níveis da densidade óssea, melhoria geral da saúde psicológica e gestão do stress através da estimulação das endorfinas.
A resposta do sistema imunológico também é aumentada pela prática de exercício físico. Os doentes que praticam exercício físico apresentam uma recuperação pós-cirúrgica mais rápida comparativamente com os que não praticam exercício físico. A massa muscular e o aumento da flexibilidade muscular são recuperados mais facilmente com a prática de exercício físico.O exercício físico tem acção sobre a prevenção de perda de proteínas e do cálcio dos ossos. O exercício físico também previne a formação de coágulos sanguíneos.
A natação é o melhor exercício físico para estes doentes atingirem os objectivos citados atrás.

terça-feira, dezembro 04, 2012

Doença Inflamatória Intestinal

Doença Inflamatória Intestinal

A Doença Inflamatória Intestinal ( DII ) é uma denominação genérica, que engloba patologias cuja etiologia é conhecida ( colite isquémica, enterocolite actínica, infecções, etc ) ou são idiopáticas ( doença de Crohn, colite ulcerosa, colite linfocítica, colagenose, etc ). De entre todas as DII, a doença de Crohn e a colite ulcerosa são responsáveis por 80 - 90% destas patologias.
A DII é diagnosticada pela clínica, dados laboratoriais, radiologia, endoscopia e anatomo-patologia. Estas doenças têm o seu início, mais frequentemente, entre os 20 e os 30 anos, com uma maior incidência nos brancos e judeus e ligeiro predomínio do sexo feminino.
A clínica destas doenças depende da sua extensão bem como da sua gravidade.
A doença de Crohn pode apresentar sintomatologia muito discreta, bem como pode a sua sintomatologia mais evidente ser extra-intestinal, podendo atrasar, desta forma, o diagnóstico por muito tempo.


A sintomatologia inicial pode ser intestinal ou ser secundária a complicações da patologia. O início é geralmente insidioso e dependente da localização, que se pode extender da boca ao ânus e região perianal. A localização mais comum é a região ileocólica e a sintomatologia mais habitual é :
 
  • Diarreia  no geral  não  sanguinolenta,  com  5-6  evacuações  diárias,  principalmente na doença confinada ao íleo
  • Perda de peso
  • Febre baixa
  • Astenia
  • Dor abdominal, geralmente tipo cólica, na FID, refletindo a inflamação da região ileocecal; quando o cólon está envolvido, as dores podem atingir a FIE
  • Perda sanguínea, via retal, que se verifica quando há comprometimento do cólon ; lesões perianais podem estar presentes
  • Crises intermitentes
  • Episódios transitórios de obstrução intestinal parcial ou total, particularmente quando há comprometimento do intestino delgado
  • Exame físico cujos sinais são dependentes da extensão de envolvimento intestinal, severidade do quadro e suas complicações, podendo ir desde sinais inespecíficos até sinais manifestos de má absorpção intestinal:

     
          • massa abdominal em geral, se presente, na FID ou irritação peritoneal
          • fístula, abcesso ou fissuras perianais


          • manifestações extra-intestinais, como úlceras orais, artrites, artralgias, inflamação ocular, eritema nodoso, pioderma gangrenoso
          • maior incidência de litíase biliar, na forma ileal distal, devido à má absorpção, e redução do “pool” de sais biliares e hipomotilidade vesicular
  • Exames laboratoriais
          • os dados analíticos podem ser normais ou estarem ligeiramente alterados
          • anemia hipocrómica microcítica, por perda de ferro, leucocitose por vezes com eosinofilia e monocitose, hipoalbuminemia, trombocitose
          • aumento da VS, PCRα1-glicoproteína ácida
          • nas situações graves, pode verificar-se hipocaliémia, hipoclorémia, hiponatrémia, alcalose ou acidose metabólica
          • presença de leucócitos nas fezes
          • pANCA, ASCA, anticorpo anti-células do pâncreas exócrino, anticorpos anti-células gobblet
  • Exames radiológicos
          • radiografia simples do abdómen, que revela ansas dilatadas e níveis hidroaéreos, se há obstrução intestinal, ou pneumoperitoneu, se há perfuração intestinal
          • clister opaco onde se vê perda das haustras
  • Endoscopia com biópsia:  na doença de Crohn são característicos granulomas ou infiltração transmural, que se podem encontrar na biópsia de regiões de mucosa aparentemente normal; na doença de Crohn, o recto é habitualmente poupado. A extensão e gravidade das lesões encontradas no cólon é determinada pela colonoscopia, sendo que se devem efectuar biópsias mesmo na mucosa aparentemente normal

Também são de significado diagnóstico para a doença de Crohn outros parâmetros e dados de exames complementares de diagnóstico, nomeadamente:
  1. Hemograma: pode ser encontrada anemia microcítica hipocrómica ou megaloblástica; leucocitose; trombocitose ( nos casos mais graves )
  2. aumento da VS
  3. Alta frequência de anergia, que pode ser observada em 30% dos casos
  4. Hipoalbuminemia causada por desnutrição ou perdas entéricas


  5. Aumento das concentrações séricas da fosfatase alcalina, gama-glutamiltranspeptidase e bilirrubinas, nas situações de complicações hepáticas
  6. Alteração do balanço da gordura fecal, com esteatorreia, nos casos de acometimento extenso do intestino delgado
  7. Ultrassonografia, TAC ou enterorressonância magnética, que podem evidenciar situações de estenose das ansas comprometidas e abcessos

O diagnóstico diferencial faz-se com a colite ulcerosa, doenças infecciosas ( tuberculose intestinal, infecção por Yersinia enterocolitica, blastomicose, actinomicose, histoplasmose ), doença isquémica intestinal, apendicite bloqueada, perfuração intestinal bloqueada, amiloidose, sarcoidose,  forma pseudo-tumoral da esquistossomíase, ameboma, tumores ( linfomas, adenocarcinoma ) e síndrome carcinóide.

Budesonida

Budesonida


Budesonida, um glicocorticóide com efeitos laterais relativamente leves, dado  aplicar-se de forma tópica, apresenta interesse em gastroenterologia, seja na forma de enemas como por via oral. Actua como inibidor da fosfolipase A2, prostaglandinas, leucotrienos e factor de activação plaquetário.
Nos adultos é administrado por via oral, geralmente em 3 tomas diárias, numa dose de 9 mg/dia.
A budesonida apresenta as mesmas contra-indicações dos corticóides em geral, mas são significativamente mais leves embora apresente uma actividade sistémica também relativamente mais ligeira, devido à inactivação hepática rápida.
Após ingestão per os, a farmacocinética mostra-se afectada pela função hepática comprometida, como se evidencia por uma biodisponibilidade sistémica aumentada. Já quando a via de administração é a endovenosa, a farmacocinética da budesonida é similar nos doentes cirróticos comparativamente com os que não apresentam alteração da função hepática. A exposição sistémica da budesonida administrada oralmente é várias vezes aumentada pela administração oral de cetoconazol, conhecido inibidor da CYP3A4 no fígado e mucosa intestinal.
Uso crónico da budesonida, em doses excessivas, pode provocar efeitos laterais sistémicos dos glucocorticoides, tais como hipercorticismo e supressão das suprarrenais.
A budesonida não pode ser administrada a grávidas, por riscos de anormalidade no desenvolvimento fetal.

Budesonida  está contraindicada em situações de infecções locais ou sistémicas bacterianas, virais ou fúngicas, bem como nos casos em que exista hipersensibilidade à budesonida.
Não estão descritas interacções da budesonida com drogas utilizadas na DII. Mulheres a fazerem esteróides ou contraceptivos orais podem apresentar concentrações séricas de budesonida aumentadas.
A inibição pela budesonida do metabolismo via CYP3A4 de outras drogas é improvável, pois a budesonida tem fraca afinidade por esta enzima. Já a inibição da CYP3A4, por exemplo pelo cetoconazol, pode levar ao aumento da concentração sérica da budesonida.


                 ↓ CYP3A4 => budesonida ≠> alteração CYP3A4

Os efeitos laterais são, em geral, leves a moderados, e sem características sérias. Efeitos cushingóides, típicos dos glucocorticóides sistémicos, podem surgir e seu grau é dependente de vários factores como dose, duração do tratamento, ingestão prévia e concomitante de glucocorticóides bem como da sensibilidade individual. Outros efeitos laterais que podem surgir são dispneia, tremores, cãimbras musculares, nervosismo, reacções cutâneas ( urticária ou rush ), palpitações, visão embaciada e distúrbios menstruais.
Como corticóide que é, a suspensão do tratamento com budesonida tem de ser feito seguindo um plano de desmame. A budesonida apresenta uma acção anti-inflamatória local significativa..
Acções anti-inflamatórias, como a inibição da libertação de mediadores inflamatórios ou respostas imunológicas mediadas por citoquinas, são importantes na doença de Crohn. A budesonida, por ser de acção tópica, apresenta eficácia semelhante à da prednisolona mas com efeito no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal significativamente menor bem como sobre os marcadores sistémicos inflamatórios.

A budesonida pode ter de ser tomada com precauções, ou mesmo suspensa, quando o doente tem sarampo, varicela, tuberculose ou quando tem glaucoma. - A budesonida diminui a taxa de recaída em doentes com doença de Crohn em fase de remissão e aumenta o período dessa remissão.

segunda-feira, dezembro 03, 2012

Lactoferrina

Lactoferrina





A lactoferrina é uma glicoproteína, que se encontra no leite, com função importante na defesa biológica. Está presente em grandes quantidades no leite materno e principalmente no colostro. Para além de se apresentar no leite materno, também se encontra nas lágrimas, saliva, secreções nasais, mucos e secreções externas dos órgãos internos. A lactoferrina encontra-se nos neutrófilos, constituindo um importante factor de defesa, capaz de proteger contra o ataque de corpos estranhos, como bactérias ou vírus.
A lactoferrina tem uma capacidade muito alta de se ligar ao ferro férrico, e por essa característica é capaz de inibir o desenvolvimento microbiano.
Quando se contrai uma infecção, a concentração sérica da lactoferrina sobe de forma muito rápida. Ao chegar ao local da infecção, a lactoferrina une-se a todo o ferro existente nesse local e, dessa forma, combate as infecções por causar uma diminuição da concentração do ferro no local  que também é necessário à sobrevivência bacteriana, seu crescimento e multiplicação.


 

A lactoferrina, uma proteína que integra o sistema imune inato, tem funções anti-inflamatórias, anti-microbianas e na reparação das feridas. É omnipresente nas membranas.
O metabolismo do ferro é equilibrado por acção da lactoferrina por favorecer a fixação do ferro existente nos alimentos e aumentar a sua absorpção, protegendo dessa forma as reservas marciais do organismo.
A composição da microflora intestinal, que tem acção importante no favorecer da saúde do hospedeiro, é modelada pela lactoferrina.

  
http://youtu.be/4913eTw6sUU


Crescimento das bifidobactérias e das células NK ( natural killer ) é aumentado pela acção da lactoferrina, sendo assim parte essencial na manutenção do sistema imunológico. Nos doentes com HIV a fazerem retrovirais, a lactoferrina joga um papel importante como coadjuvante daquela medicação. Também nos casos de hepatite C e herpes simples a lactoferrina é um auxiliar importante na terapêutica. A lactoferrina apresenta também acção fungicida importante.


A lactoferrina actua pelo sequestro do ferro, impedindo este elemento de ser utilizado por bactérias e vírus, e dessa maneira impede a multiplicação e, simultâneamente, produz alterações ao nível da membrana bacteriana capazes de levar à morte do microorganismo.
Tanto nos adultos como nas crianças, a lactoferrina actua como um escudo nas infecções independentemente da etiologia destas. Potente anti-oxidante, previne a formação de radicais livres e participa nas alterações celulares que se dão com o envelhecimento.
A lactoferrina tem propriedades anti-inflamatórias pela capacidade de diminuir a libertação de interleucinas e prostaglandina E. Também influencia no aumento da densidade óssea, combatendo o surgimento da osteoporose e reduzindo a predisposição óssea a fracturas.


Outra das propriedades da lactoferrina é a sua capacidade de combater o surgimento de células pré-cancerosas do baço e cólon.


 http://youtu.be/Zx3yCdhBTNk


A lactoferrina, proteína secretada nos neutrófilos, é semelhante à transferrina competindo com esta pelo ferro e diferindo em 3 aspectos importantes:
 - maior afinidade pelo ferro especialmente em pH baixo
 - não transfere o ferro às células eritropoiéticas
 - retida, de forma rápida e activa, pelos macrófagos
Estas 3 propriedades da lactoferrina conferem-lhe a capacidade de dificultar a mobilização do ferro dos depósitos e, por conseguinte, a eritropoiese fica dificultada.