domingo, dezembro 09, 2012

Vitamina D


Vitamina D




A vitamina D tem por função ajudar a calcificação dos ossos, facilitar a fixação do cálcio no organismo evitando dores lombares. A vitamina D tem acção sobre a captação crescente de cálcio pelos rins e estimula a reabsorpção óssea quando necessário.
As concentrações da vitamina D no plasma são essenciais para a coagulação sanguínea, actividade muscular, transporte dos impulsos nervosos ao músculo e a permeabilidade das membranas celulares. Em conjunto com a vitamina A, ajuda a fortalecer os dentes e os ossos. Também o sistema nervoso e o coração dependem da vitamina D para o normal funcionamento.
A vitamina D é uma vitamina lipossolúvel.
A absorpção do calciferol é realizada em 2 etapas sendo uma de absorpção rápida, feita pela mucosa intestinal ( jejuno ) seguida pelo transporte lento pela linfa, onde aparece na sua forma livre e, apenas, uma pequena porção se apresenta esterificada com ácidos gordos saturados. A excreção da vitamina D é primeiramente feita pela bilis e apenas uma pequena parte é excretada pela urina. O fígado, os músculos e o tecido adiposo são os locais de armazenamento da vitamina D.
A vitamina D é a mais tóxica de todas as vitaminas. O seu metabolismo é lento. Doses elevadas podem causar perda de apetite, náuseas, sede. A hipercalcémia pode verificar-se podendo levar à deposição do cálcio em muitos órgãos, particularmente rins e artérias. Calcificação óssea excessiva, cálculos renais, calcificação metastática de partes moles ( rins e pulmões ), hipercalcémia, cefaleias, fraqueza muscular, vómitos, obstipação, poliúria e polidipsia podem ocorrer.
A exposição aos UVB solares aumenta o risco de cancro da pele mas também aumenta a produção de vitamina D. A ligação entre a saúde óssea e a vitamina D é estreita, podendo também a vitamina D proteger contra alguns cancros, diabetes e esclerose múltipla. A vitamina D também favorece o bom funcionamento do sistema imunológico.
O risco de cancro da pele pela acção solar é efectivo, mas a exposição moderada ( 5-30 minutos, 2 vezes por semana, até às 10 horas da manhã ou após as 16 horas, no tronco, membros inferiores e superiores ) proporciona vantagens ao corpo, nomeadamente na produção de vitamina D, sem acarretar riscos de maior no que se refere ao desenvolvimento de cancro da pele.

A vitamina D é a única vitamina que pode ser produzida no corpo humano pela acção dos raios UVB solares, e concentra-se na pele.
A vitamina D tem acção importante na absorpção de cálcio e manutenção dos niveis séricos de fósforo. Tem também acção auxiliadora no rendimento cerebral.
A vitamina D, para além da sua fonte principal que são os raios UVB solares ( 90% da vitamina D absorvida tem esta origem ), também pode ser administrada na alimentação. Alimentos ricos em vitamina D são o atum fresco, salmão, sardinhas, manteiga, certos cogumelos, leite, gema de ovo , ovo de galinha, fígado de boi e iogurte. No entanto, esta vitamina D, proveniente da dieta, só atinge a sua forma activa com a exposição à luz solar. Óleo de fígado de bacalhau é o suplemento alimentar rico em vitamina D mais habitualmente utilizado. A vitamina D é estável nos alimentos. O armazenamento, processamento e cozedura têm pouco ou nenhum efeito na sua actividade, embora no leite fortificado, 40% da vitamina D adicionada se possa perder, pela acção da luz.
A sintomatologia provocada pela baixa concentração sérica de vitamina D é:
  • hipocalcémia
  • hipofosfatémia
  • fraqueza muscular
  • tetania
  • moleira aberta após o primeiro ano de vida, nas crianças
  • irritabilidade
  • inquietação
  • anorexia
  • hipersudorese
  • osteoporose ou osteomalácia
  • raquitismo
  • membros inferiores tortos e arqueados
A hipervitaminose D, pode causar hipercalcémia, que pode levar a cálculos renais, arritmia cardíaca e sopro cardíaco. A hipervitaminose D é no entanto muito rara, dado que o excesso de vitamina D, quando ocorre, é destruído pela acção dos raios solares.

O uso dos filtros protectores solares pode limitar a disponibilidade da vitamina D. Este facto é, no entanto, controverso e um estudo realizado em S. Paulo, Brasil, demonstra que apesar do filtro solar reduzir a produção da vitamina D, esta redução não é suficiente para provocar hipovitaminose D.
Nos indivíduos de raça preta, devido à maior quantidade de melanina ( eumelanina, filtro solar natural ) na pele, há maior susceptibilidade à deficiência de vitamina D. A obesidade é outro factor que pode facilitar a deficiência de vitamina D, já que esta pode ficar retida no tecido adiposo impedindo a sua metabolização e utilização pelo organismo.
Dores crónicas, ossos fracos, infecções frequentes, depressão, má qualidade do sono e baixa imunidade são sintomatologia que pode ser devida ao baixo nível sérico da vitamina D.
O doseamento sérico da 25-OH-vitamina D é a análise que se usa para determinar a concentração de vitamina D no organismo.

A absorpção intestinal da vitamina D pode ser inibida pela colestiramina ( utilizada para fazer a reabsorpção dos sais biliares ) e pelos laxantes baseados em óleos minerais. Hormonas corticosteroides, anticonvulsivantes e álcool podem afectar a absorpção do cálcio e assim diminuir a acção da vitamina D de forma indirecta. Os anticonvulsivantes podem também ter acção sobre a vitamina D por estimularem enzimas hepáticos que aumentam a decomposição e excreção da vitamina D.

Diuréticos, à base de tiazidas, e antiácidos, contendo magnésio, podem aumentar a acção da vitamina D pelo risco de ocorrer hipercalcémia ( no caso das tiazidas ) ou hipermagnesémia ( no caso dos antiácidos ). Anticoncepcionais orais também provocam níveis ligeiramente mais altos de calcitriol ( vitamina D activa ) sanguíneos.

A função essencial da vitamina D é favorecer o equilíbrio do cálcio. É essencial para a absorpção do cálcio e fósforo no intestino, sua mobilização a partir dos ossos e reabsorpção nos rins. Por estas 3 funções, a vitamina D, assegura o funcionamento correcto dos músculos, nervos, coagulação, crescimento celular e utilização da energia. Tem sido proposto que a vitamina D é importante também na secreção da insulina, prolactina, resposta imunitária e ao stress, síntese da melanina e na diferenciação das células da pele e do sangue.
A vitamina D liga-se a receptores específicos nas células para realizar as suas funções.

A deficiência da vitamina D pode ser marginal ou franca. Na deficiência franca, os níveis séricos de cálcio e fósforo estão baixos e há aumento da fosfatase alcalina que pode provocar fraqueza muscular e tetania e aumento do risco de infecção. Pode haver inquietação, irritabilidade, hipersudorese e anorexia. Nos idosos pode haver acréscimo de fracturas ósseas.
Na deficiência grave pode haver osteoporose, osteomalácia ou, nas crianças, raquitismo caracterizados por pobre mineralização do osso. O crescimento pode ser retardado. Pode também haver repercussões a nível dentário com mineralização inadequada do esmalte dentário e da dentina.
Doentes com doenças hepáticas, renais e tiroideias, ou com alteração de absorpção das gorduras, os vegetarianos, alcoólicos e epiléticos em terapia de longa duração com anticonvulsivantes têm risco de deficiência acrescido, bem como pessoas retidas em casa.


A vitamina D, assim que sintetizada na pele, é levada ao fígado onde sofre a primeira hidroxilação ( 25-OH-vitamina D ) após o que segue para o rim onde é feita uma segunda hidroxilação ( 1,25-(OH)2-vitamina D ) transformando-se na sua forma activa. A vitamina D é transportada na linfa sendo que a vitamina D é transportada pelos quilomicrons e a 25-OH-vitamina D por uma proteína transportadora de ligação própria com acentuada afinidade por esse composto. O 25-OH-vitamina D é menos dependente da bilis e mais bem absorvida que a vitamina D activa.
No intestino delgado, a vitamina D aumenta o transporte activo do cálcio através do intestino assim como o estímulo de transporte de fosfato intestinal. No osso, funciona em conjunto com a paratormona e estrogéneo para regular a mobilização e deposição de cálcio e fósforo. No rim aumenta a reabsorpção tubular renal do cálcio e fósforo. A vitamina D restaura o cálcio sérico através duma intensificação da absorpção intestinal, reabsorpção renal e mobilização óssea.
Reduções leves dos níveis de vitamina D ( concentrações próximas do limite inferior da normalidade ) podem levar à hipocalcémia resultando em hiperparatiroidismo secundário com perda óssea e osteoporose. A deficiência de vitamina D foi associada a um maior risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo I ou II, cancro do cólon, da próstata, ovário, mama e útero.
A  vitamina  D1  é  a  mais importante, e é a que regula o metabolismo do cálcio. A vitamina D2 é a proveniente das plantas ( ergocalciferol ). A vitamina D3 ( colecalciferol ) é a sintetizada na pele, pela acção dos UVB solares sobre a pró-vitamina D, existente na pele, secretada pelas glândulas sebáceas. As 3 formas de vitamina D referidas são absorvidas no jejuno, necessitam de sais biliares para emulsificação das gorduras, quilomicrons para serem transportadas no sangue até serem armazenadas nos tecidos renal, hepático, pele, coração, supra-renais e timo.
A vitamina D para ser activa tem de sofrer uma primeira hidroxilação no fígado e uma segunda no rim, passando à forma de 1,25-(OH)2-vitamina D que é a forma biologicamente activa. Liga-se a uma globulina ( DBP ) para ficar mais solúvel no plasma e chegar aos tecidos alvo. A sua excreção é fundamentalmente pelas fezes.
A vitamina D aumenta a absorpção intestinal do cálcio e fósforo. Juntamente com a calcitonina tem acção osteoblástica de deposição de cálcio nos ossos; juntamente com a paratormona tem acção osteoclástica que retira o cálcio dos ossos quando há hipocalcémia, aumento da reabsorpção dos fosfatos inorgânicos pelos rins e estimula a síntese de colagéneo.


O tracto digestivo é a maior via de absorpção de nutrientes, pelo que é comum encontrar anormalidades no metabolismo mineral ósseo em doentes com vários tipos de distúrbios digestivos que desestabilizam o complexo mecanismo de absorpção como é o caso, entre outros, das DII.
O cálcio é fundamental ao organismo, mas não é produzido endogenamente, pelo que tem de ser ministrado na alimentação. A vitamina D dispõe de via endógena de formação ( na pele ) mas requer, na prática, suplementação exógena para manter os níveis ideais às necessidades do organismo. Há uma relação estreita entre a deficiência da absorpção do cálcio e/ou vitamina D e a perda de massa óssea.
O cálcio é o mineral mais abundante no organismo humano, correspondendo a 1-2% do peso corporal ( 35% de todos os minerais ) e está em 99% nos ossos e 1% no sangue, espaço extra-celular e células dos tecidos moles. É fundamental para a formação e manutenção da matriz óssea, estabilização das membranas celulares excitáveis como as musculares e nervosas, participa na coagulação sanguínea e no funcionamento de várias enzimas. O crescimento e desenvolvimento dos ossos e dentes necessita de cálcio para se processar correctamente. A concentração de cálcio nos tecidos é variável, e na célula encontra-se, fundamentalmente, no retículo endoplasmático e mitocôndrias.
A vitamina D, conjuntamente com outras enzimas como ATPase, fosfatase alcalina intestinal, factores que aumentam ou diminuem a solubilidade, proteína ligadora do cálcio ao enterócito, proteína ligadora do cálcio no plasma, tem acção importante na absorpção do cálcio.

A absorpção do cálcio faz-se em 3 fases: intraluminal, intracelular e plasmática.
  1. Fase intraluminal: A quantidade de cálcio absorvida é inversamente proporcional à quantidade ingerida de cálcio. A absorpção saturável transcelular é dependente da vitamina D enquanto que a não saturável, intercelular, é dependente da concentração de cálcio intraluminal. Nesta fase há interferência de factores na luz intestinal que aumentam ou diminuem a absorpção e que são nomeadamente:
  • pH: o cálcio é solúvel em meio ácido e precipita em meio alcalino; em meio ácido, a ligação às ligandinas é quebrada em troca com o ião hidrogéneo, tornando o cálcio pronto para ser absorvido servindo a ligandina para impedir a sua precipitação. Em meio alcalino aumenta a ligação cálcio-fósforo que é insolúvel e eliminado pelas fezes. No intestino delgado, à medida que sobe o pH em direcção ao íleo, sobe a concentração de fosfato intestinal havendo precipitação de cálcio e deficiência da sua absorpção.
  • Actividade da lactase, caseinato e citrato: o cálcio é muito pouco hidrossolúvel. A forma como é ingerido e seu grau de solubilidade no conteúdo intestinal afectam sua absorpção
  • Aminoácidos: a lisina e a arginina levam a maior solubilidade do cálcio, aumentando a sua absorpção
  • Gorduras: em quantidades normais, por terem um mecanismo de absorpção complexo, diminuem o trânsito intestinal, mantendo mais tempo o cálcio em contacto com a mucosa, e assim levam ao aumento da absorpção. Já gorduras em excesso, como nas pancreatites ou alteração da absorpção intestinal, levam à precipitação do cálcio por formação de sais insolúveis. Nestes casos também há perda de vitamina D por ser lipossolúvel.
  • Ácido fítico, oxálico, celulose, algimatos, álcool, antiácidos, bloqueadores da secreção ácida, colestiramina e tetraciclina: diminuem a absorpção do cálcio por redução da solubilidade quer por alteração do pH quer por formação de sais insolúveis.
  • Motilidade digestiva, secreção, digestão e absorpção
  • Gastrite atrófica: leva a hipocloridria com aumento da flora na parte alta do tubo digestivo e redução da absorpção do cálcio e vitamina D
  • Hipoproteinemia: levam à alteração da absorpção, por edema da mucosa e deficiência de proteinas de transporte.
  • Insuficiência renal: por haver menor hidroxilação da vitamina D
    1. Fase intracelular: A absorpção do cálcio intestinal faz-se em 50% por mecanismos transcelulares e 50% por transferência passiva através do espaço intercelular. O transporte celular do cálcio é intenso no duodeno e jejuno proximal, sendo menor no colon proximal e pouco ocorre no jejuno distal e íleo por ausência de sistemas carreadores específicos dependentes da 1,25-(OH)2-vitamina D e pH adequados.
O transporte absortivo intercelular ( transferência passiva ) ocorre entre as células do epitélio absortivo dependente de alta concentração de cálcio intraluminal e independente da vitamina D.
A vitamina D interage na membrana plasmática de borda em escova, cuja camada lipídica tem baixa permeabilidade a iões bivalentes e trivalentes, abrindo os canais de cálcio. Esta resposta é específica para 1,25-(OH)2-vitamina D. A deficiência em vitamina D3 leva à má absorpção do cálcio devido à resistência da membrana do enterócito à entrada de cálcio.
A administração de calcitriol foi associada a um aumento da passagem de cálcio através de vesículas pelos bordos em escova das células do intestino. Ao entrar na borda em escova do enterócito, o cálcio deve ligar-se a um transportador, a calbidina, presente na membrana celular do enterócito com borda em escova e está demonstrado que a forma activa da vitamina D fixa a calbidina em pequena quantidade na membrana apical do enterócito. A calbidina apresenta-se em muito maior concentração no citoplasma dos enterócitos e é dependente do calcitriol
    1. Fase plasmática: Ao entrar no capilar venoso, o cálcio encontra-se ligado a proteína em 45-50%, sendo 80% à albumina e 20% à globulina. Os outros 45-50% circulam em forma iónica e cerca de 8% complexados com citrato, fosfato e sulfato.
A variação na concentração da albumina sérica não interfere no cálcio iónico. Assim, em doenças em que possa haver substancial redução de albumina sérica, pode haver diminuição da concentração total do cálcio sérico, mas a concentração de cálcio livre permanece normal. As alterações do pH modificam as concentrações do cálcio ionizado aumentando na acidose, por haver diminuição da ligação cálcio-albumina, enquanto que na alcalose, por esta ligação cálcio-albumina aumentar, o cálcio iónico diminui. A um pH de 7.4, cada g/dl de albumina liga 0.8 g/dl de cálcio ( exemplo: num soro com albumina  de  2.0  g/dl,  o  cálcio  “corrigido”  é  de  7.4  g/dl; se a albuminemia for de 4.0 g/dl, o cálcio “corrigido” será de 9.0 g/dl )
Só o cálcio iónico é fisiologicamente activo.



Vitamina D
A vitamina D pode ser obtida, no corpo humano, de forma endógena ou exógena. Para ser activa tem de ser metabolizada até 1,25-(OH)2-vitamina D3.
A vitamina D da dieta, apresenta-se sob 2 formas: D2 ( calciferol ) e D3 ( colecalciferol ). Ambas sofrem o mesmo processo de metabolização para se tornarem activas fisiologicamente.
A vitamina D3 da pele é produzida a partir da pro-vitamina D3 pela acção dos raios UVB solares, e é transformada em pré-vitamina D3, que sofre isomerização induzida pelo calor, durante algumas horas, formando a vitamina D3 que atinge a circulação e é levada ao fígado, onde sofre a primeira hidroxilação. Absorvida no jejuno, quando administrada na dieta ou em suplementos orais, pela membrana do enterócito, por simples difusão dentro da célula, é metabolizada a quilomicrons passando ao sistema linfático e depois venoso chegando ao fígado onde é hidroxilada, e passa à forma 25-OH-vitamina D3 que se liga à transcalciferina, indo depois ao rim, ligada, onde é hidroxilada, uma segunda vez, e atinge a sua forma activa, 1,25-(OH)2-vitamina D3. O calcitriol actua no intestino delgado ao nível do enterócito onde estimula a síntese da proteína ligadora do cálcio, a calbidina, necessária ao transporte intracelular do cálcio. A vitamina D3 activa, actua sobre a borda em escova, facilitando a penetração do cálcio por alterar a permeabilidade da membrana ao cálcio.
Tanto a deficiência de cálcio como de vitamina D pode levar à desmineralização do osso.

quinta-feira, dezembro 06, 2012

Bupropiona

Bupropiona



As imunoaminas dopamina e noradrenalina têm a sua recaptação inibida pelo antidepressivo bupropiona. Esta droga é usada principalmente no tratamento da depressão e no combate à dependência da nicotina.
Nas situações de utilização de antidepressivos do tipo IMAO irreversível, a bupropiona está totalmente contra-indicada pelo perigo de poder desencadear uma crise hipertensiva. A bupropiona encontra-se também contra-indicada em doentes epilépticos por poder desencadear uma crise convulsiva em doses altas. Outra contra-indicação ao uso da bupropiona é um enfarte de miocárdio recente.
A bupropiona é de administração oral e excreção pela urina. A metabolização da bupropiona é feita no fígado ligando-se às proteínas em 84% da sua concentração e apresentando uma semi-vida de 21 horas. 
A bupropiona pode causar, como efeitos laterais, insónia, ansiedade, tremor, hipertensão, irritabilidade, inquietude, agitação, catatonia, ansiedade, alucinações, delírio, emagrecimento, ondas de calor, hipersudação, sensação de calor no corpo, náuseas, boca seca, amnésia e dificuldade de encontrar a palavra certa. Outros efeitos laterais da bupropiona são a rara característica de causar hipotensão postural, sonolência diurna, aumento de peso e efeitos anticolinérgicos.
A retirada da bupropiona não causa síndrome de abstinência.
A absorpção da bupropiona por via oral apresenta uma boa absorpção e verifica-se um pico plasmático às 2 horas após a tomada da droga.

Os níveis séricos de αTNF, γ-interferão e IL-1β são fortemente diminuídos pela acção da bupropiona.
Na doença de Crohn, a patologia é mediada por citoquinas pro-inflamatórias como a α-TNF ou a γ-interferão ( JAK 1 e JAK 2 estão implicados na sinalização emanada pelo γ-interferão ) . Paralelamente à diminuição dos níveis de αTNF, γ-interferão e IL-1β, a bupropiona aumenta a concentração da IL-10. A bupropiona é bem tolerada e possui efeitos laterais muito menos acentuados que a prednisolona, azotioprim, infliximab ou metrotexato.

Vitamina D pode combater a doença de Crohn

Vitamina D pode combater a doença de Crohn



A primeira linha de defesa do organismo contra invasores microbianos é constituída pelo sistema imune inato.

Um defeito imune inato na movimentação das bactérias do intestino é o responsável por uma resposta inflamatória que é a causa de uma condição auto-imune denominada doença de Crohn. A vitamina D actua de forma directa sobre o gene beta-defensina 2 ( as beta defensinas são as produzidas no cólon ) codificador de um peptídeo anti-microbiano, e sobre o gene NOD2/CARD15 que dá o alerta de invasão microbiana, sendo ambos os genes associados à doença de Crohn. Se o gene NOD2/CARD15 é deficiente ou defeituoso, o combate aos invasores do tracto intestinal não pode ser efectuado.
A vitamina D, para além de ter acção no tratamento de doentes com doença de Crohn declarada, também tem importância na prevenção dessa doença sendo assim, particularmente útil em irmãos saudáveis de doentes com doença de Crohn.


Vitamina C

Vitamina C




O ácido ascórbico, também chamado de vitamina C ou ácido l-xiloascórbico, tem uma semi-vida de 13 a 40 dias, uma acidez de 4.17, mostrando-se solúvel em água mas pouco solúvel em solventes orgânicos. Este composto é utilizado na hidroxilação de várias outras moléculas, em reacções bioquímicas que se originam nas células. A principal função da vitamina C é a hidroxilação do colagéneo, a proteína fibrilar responsável por conferir a resistência aos ossos, dentes, tendões e paredes vasculares. A vitamina C transforma os radicais livres de oxigéneo em formas inertes, sendo assim um antioxidante poderoso. A vitamina C também participa na síntese de neurotransmissores e hormonas.
Temperaturas altas por um período de tempo prolongado destroem a vitamina C. Em alimentos frescos guardados por longo período de tempo, a vitamina C sofre oxidação irreversível que causa a perda da sua actividade biológica. 
 A vitamina C encontra-se fundamentalmente na forma de ascorbato no meio intracelular e ao pH habitual. A desidratação da prolina do colagéneo é uma das mais importantes funções da vitamina C. Para manter a estrutura tridimencional correcta, o colagéneo necessita de ter resíduos de prolina desidratados, sob a forma de hidroxiprolina. Esta hidroxilação da prolina é feita pela acção da enzima prolil-4-hidroxilase. A acção do ascorbato nesta hidroxilação não é feita de forma directa, sendo que a redução do ferro férrico ( Fe3+ ) é necessária, participando na catálise enzimática, passando a ferro ferroso ( Fe2+ ).
Na desintoxicação do peróxido de hidrogéneo tem acção o ascorbato, tendo esta reacção a enzima ascorbato peroxidase como catalizador, capaz de reduzir o peróxido de hidrogéneo a água sendo o redutor o ascorbato.

As acções da vitamina C, em doses moderadas, no organismo humano são:
- auxilia na formação dos ossos e dentes
- aumenta a resistência às doenças
- previne doenças infecciosas e fraqueza muscular, particularmente em doentes com escorbuto
- ajuda o sistema imunológico e a respiração celular
- estimula as supra-renais e protege os vasos sanguíneos
- a vitamina C tem papel importante no normal funcionamento dos leucócitos
- é um importante suplemento no tratamento de neoplasias

O ácido ascórbico ( vitamina C ) aumenta a geração de 5hmC por actuar como cofactor de TET 2.

A carência da vitamina C provoca a sua avitaminose designada por escorbuto.
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A vitamina C é um composto muito instável que reage com o oxigéneo do ar, com a luz e até mesmo com a água. É destruída de forma rápida uma vez feita a sua exposição. A vitamina C da fruta reage e desaparece em menos de 1 hora.

Probióticos

Probióticos


Lactobacillus acidophillus, um probiótico frequente constituinte de iogurtes, possui uma enzima capaz de aumentar, na mucosa intestinal, a reacção inflamatória. Desencadeia, também, a síntese de uma molécula imunológica benéfica, a IL-10m, reguladora do sistema imunológico.

Os probióticos actuam por influenciarem o sistema imunológico, estimulando as células imunológicas protectoras ou bloqueando actividades prejudiciais das células imunes.

A interacção da microflora intestinal, epitélio intestinal e células imunológicas do hospedeiro actuam na manutenção imunológica da homeostasia intestinal. Disfunção imunológica que leva à inflamação característica das DII é resultado da desregulação daquele equilíbrio. As citoquinas pró-inflamatórias jogam um papel primordial neste processo inflamatório, iniciando a diferenciação das células patogénicas Th1 CD4+, que estão muito envolvidas na DII e particularmente na doença de Crohn.
A doença é mitigada pela inibição das células Th1 CD4+

A IL-23, à semelhança do que acontece com a IL-2, também está implicada no desenvolvimento de várias patologias auto-imunes, entre as quais se incluem as DII.
Os probióticos são capazes de produzirem lactocepina, enzima capaz de degradar, de forma selectiva, mediadores inflamatórios em tecido doente, as quimiocinas*.  As quimiocinas, como parte da resposta "normal" imune, são necessárias na orientação das células de defesa para o local da infecção. Nas doenças crónicas, como por exemplo na doença de Crohn, funciona de modo incorrecto o mecanismo de defesa contra os agentes infecciosos. Quimiocinas, como a IL-10, por impedirem a cicatrização dos tecidos, têm acção na lesão tecidular devida a processos inflamatórios crónicos.


*As quimiocinas fazem parte de uma família especializada de citocinas, que funcionam como potentes mediadores ou reguladores da inflamação, pela habilidade de recrutar e ativar subpopulações específicas de leucócitos. As quimiocinas são uma grande familia de citocinas estruturalmente homólogas que estimulam o movimento dos leucócitos e regulam a migração destes do sangue para os tecidos, são citocinas quimiotáticas, além de estimular a produção de novas citocinas e auxiliar em diferenciações celulares. As quimiocinas envolvidas em reações inflamatórias são produzidas por leucócitos ou células residentes do local da inflamação, em resposta a estímulos externos, e as quimiocinas que regulam o tráfego celular através dos tecidos são produzidas constitutivamente por várias células nesses tecidos

Messalazina

Messalazina


Um medicamento muito utilizado no tratamento da doença de Crohn é a messalazina. Tem, no entanto, um problema muito comum que é o facto de muitas vezes o comprimido ser eliminado praticamente inteiro pelas fezes, indicando que há má absorpção desta droga. Quando estes comprimidos são ministrados sob a forma de sachê com microgrânulos ( Pentasa ), a absorpção é muito melhor.

A messalazina é um anti-inflamatório local capaz de actuar na parede intestinal, sendo a sua actividade terapêutica dependente do contacto da droga com a parede intestinal inflamada. Quando administrada sob a forma de grânulos de acção prolongada, a sua libertação é contínua, no tracto gastrointestinal independentemente do pH intestinal presente.
Após administração de messalazina por via oral, os grânulos chegam ao duodeno ao fim de 1 hora, independentemente de administração de alimentos. O tempo médio do trânsito intestinal é de 3-4 horas. O tempo médio de início de efeito é individual uma vez que depende de pessoa para pessoa o tempo do peristaltismo intestinal. Este tempo de início de acção também depende do local das lesões, sendo tanto mais rápido o início quanto mais proximal for a doença.

Infliximab

Infliximab




Os "mab" eram, até há pouco tempo, considerados os únicos capazes de manter alfa-TNF em concentrações baixas. Actualmente sabe-se que o princípio activo bupropiona também consegue esse objectivo pela sua capacidade de aumentar as concentrações intra-celulares do cAMP que, por sua vez, baixa o alfa-TNF. A bupropiona tem a vantagem sobre o infliximab de ser barato, seguro e fácilmente se obtem no mercado.
O tratamento com infliximab mostra-se muito eficaz para as fístulas perianais. O infliximab  tem uma eficácia superior no controlo de fístulas externas e, particularmente, nas perianais comparativamente com outros tipos de fístulas.

Doença de Crohn - IL-27

Doença de Crohn - IL-27



A IL-27 foi identificada como sendo uma molécula capaz de parar o processo inflamatório, resultando no final no bloqueio de várias patologias auto-imunes, entre as quais se inclui a doença de Crohn. Esta descoberta pode ter implicações relevantes nos doentes com doença de Crohn a fazerem imunossupressores.
A IL-27 é uma interleuquina necessária à formação das células T reguladoras ( Tregs ), células estas capazes de pararem vários tipos de inflamações e que normalmente mantêm uma cobertura em resposta inflamatória durante infecções. A IL-27 utiliza a via JAK-STAT de sinalização, necessitando da activação JAK 1, JAK 2 e TYK 2.
A supressão da inflamação, para além de ser uma capacidade da IL-27, também é uma capacidade do alfa-interferão ( alfa-INF ) que utiliza a via JAK-STAT de transdução de sinal pelo JAK 1 e TYK 2.
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A sintomatologia da DII é prevenida e aliviada, comprovadamente, pelo exercício físico, que tem também acção na melhoria dos níveis da densidade óssea, melhoria geral da saúde psicológica e gestão do stress através da estimulação das endorfinas.
A resposta do sistema imunológico também é aumentada pela prática de exercício físico. Os doentes que praticam exercício físico apresentam uma recuperação pós-cirúrgica mais rápida comparativamente com os que não praticam exercício físico. A massa muscular e o aumento da flexibilidade muscular são recuperados mais facilmente com a prática de exercício físico.O exercício físico tem acção sobre a prevenção de perda de proteínas e do cálcio dos ossos. O exercício físico também previne a formação de coágulos sanguíneos.
A natação é o melhor exercício físico para estes doentes atingirem os objectivos citados atrás.

terça-feira, dezembro 04, 2012

Doença Inflamatória Intestinal

Doença Inflamatória Intestinal

A Doença Inflamatória Intestinal ( DII ) é uma denominação genérica, que engloba patologias cuja etiologia é conhecida ( colite isquémica, enterocolite actínica, infecções, etc ) ou são idiopáticas ( doença de Crohn, colite ulcerosa, colite linfocítica, colagenose, etc ). De entre todas as DII, a doença de Crohn e a colite ulcerosa são responsáveis por 80 - 90% destas patologias.
A DII é diagnosticada pela clínica, dados laboratoriais, radiologia, endoscopia e anatomo-patologia. Estas doenças têm o seu início, mais frequentemente, entre os 20 e os 30 anos, com uma maior incidência nos brancos e judeus e ligeiro predomínio do sexo feminino.
A clínica destas doenças depende da sua extensão bem como da sua gravidade.
A doença de Crohn pode apresentar sintomatologia muito discreta, bem como pode a sua sintomatologia mais evidente ser extra-intestinal, podendo atrasar, desta forma, o diagnóstico por muito tempo.


A sintomatologia inicial pode ser intestinal ou ser secundária a complicações da patologia. O início é geralmente insidioso e dependente da localização, que se pode extender da boca ao ânus e região perianal. A localização mais comum é a região ileocólica e a sintomatologia mais habitual é :
 
  • Diarreia  no geral  não  sanguinolenta,  com  5-6  evacuações  diárias,  principalmente na doença confinada ao íleo
  • Perda de peso
  • Febre baixa
  • Astenia
  • Dor abdominal, geralmente tipo cólica, na FID, refletindo a inflamação da região ileocecal; quando o cólon está envolvido, as dores podem atingir a FIE
  • Perda sanguínea, via retal, que se verifica quando há comprometimento do cólon ; lesões perianais podem estar presentes
  • Crises intermitentes
  • Episódios transitórios de obstrução intestinal parcial ou total, particularmente quando há comprometimento do intestino delgado
  • Exame físico cujos sinais são dependentes da extensão de envolvimento intestinal, severidade do quadro e suas complicações, podendo ir desde sinais inespecíficos até sinais manifestos de má absorpção intestinal:

     
          • massa abdominal em geral, se presente, na FID ou irritação peritoneal
          • fístula, abcesso ou fissuras perianais


          • manifestações extra-intestinais, como úlceras orais, artrites, artralgias, inflamação ocular, eritema nodoso, pioderma gangrenoso
          • maior incidência de litíase biliar, na forma ileal distal, devido à má absorpção, e redução do “pool” de sais biliares e hipomotilidade vesicular
  • Exames laboratoriais
          • os dados analíticos podem ser normais ou estarem ligeiramente alterados
          • anemia hipocrómica microcítica, por perda de ferro, leucocitose por vezes com eosinofilia e monocitose, hipoalbuminemia, trombocitose
          • aumento da VS, PCRα1-glicoproteína ácida
          • nas situações graves, pode verificar-se hipocaliémia, hipoclorémia, hiponatrémia, alcalose ou acidose metabólica
          • presença de leucócitos nas fezes
          • pANCA, ASCA, anticorpo anti-células do pâncreas exócrino, anticorpos anti-células gobblet
  • Exames radiológicos
          • radiografia simples do abdómen, que revela ansas dilatadas e níveis hidroaéreos, se há obstrução intestinal, ou pneumoperitoneu, se há perfuração intestinal
          • clister opaco onde se vê perda das haustras
  • Endoscopia com biópsia:  na doença de Crohn são característicos granulomas ou infiltração transmural, que se podem encontrar na biópsia de regiões de mucosa aparentemente normal; na doença de Crohn, o recto é habitualmente poupado. A extensão e gravidade das lesões encontradas no cólon é determinada pela colonoscopia, sendo que se devem efectuar biópsias mesmo na mucosa aparentemente normal

Também são de significado diagnóstico para a doença de Crohn outros parâmetros e dados de exames complementares de diagnóstico, nomeadamente:
  1. Hemograma: pode ser encontrada anemia microcítica hipocrómica ou megaloblástica; leucocitose; trombocitose ( nos casos mais graves )
  2. aumento da VS
  3. Alta frequência de anergia, que pode ser observada em 30% dos casos
  4. Hipoalbuminemia causada por desnutrição ou perdas entéricas


  5. Aumento das concentrações séricas da fosfatase alcalina, gama-glutamiltranspeptidase e bilirrubinas, nas situações de complicações hepáticas
  6. Alteração do balanço da gordura fecal, com esteatorreia, nos casos de acometimento extenso do intestino delgado
  7. Ultrassonografia, TAC ou enterorressonância magnética, que podem evidenciar situações de estenose das ansas comprometidas e abcessos

O diagnóstico diferencial faz-se com a colite ulcerosa, doenças infecciosas ( tuberculose intestinal, infecção por Yersinia enterocolitica, blastomicose, actinomicose, histoplasmose ), doença isquémica intestinal, apendicite bloqueada, perfuração intestinal bloqueada, amiloidose, sarcoidose,  forma pseudo-tumoral da esquistossomíase, ameboma, tumores ( linfomas, adenocarcinoma ) e síndrome carcinóide.

Budesonida

Budesonida


Budesonida, um glicocorticóide com efeitos laterais relativamente leves, dado  aplicar-se de forma tópica, apresenta interesse em gastroenterologia, seja na forma de enemas como por via oral. Actua como inibidor da fosfolipase A2, prostaglandinas, leucotrienos e factor de activação plaquetário.
Nos adultos é administrado por via oral, geralmente em 3 tomas diárias, numa dose de 9 mg/dia.
A budesonida apresenta as mesmas contra-indicações dos corticóides em geral, mas são significativamente mais leves embora apresente uma actividade sistémica também relativamente mais ligeira, devido à inactivação hepática rápida.
Após ingestão per os, a farmacocinética mostra-se afectada pela função hepática comprometida, como se evidencia por uma biodisponibilidade sistémica aumentada. Já quando a via de administração é a endovenosa, a farmacocinética da budesonida é similar nos doentes cirróticos comparativamente com os que não apresentam alteração da função hepática. A exposição sistémica da budesonida administrada oralmente é várias vezes aumentada pela administração oral de cetoconazol, conhecido inibidor da CYP3A4 no fígado e mucosa intestinal.
Uso crónico da budesonida, em doses excessivas, pode provocar efeitos laterais sistémicos dos glucocorticoides, tais como hipercorticismo e supressão das suprarrenais.
A budesonida não pode ser administrada a grávidas, por riscos de anormalidade no desenvolvimento fetal.

Budesonida  está contraindicada em situações de infecções locais ou sistémicas bacterianas, virais ou fúngicas, bem como nos casos em que exista hipersensibilidade à budesonida.
Não estão descritas interacções da budesonida com drogas utilizadas na DII. Mulheres a fazerem esteróides ou contraceptivos orais podem apresentar concentrações séricas de budesonida aumentadas.
A inibição pela budesonida do metabolismo via CYP3A4 de outras drogas é improvável, pois a budesonida tem fraca afinidade por esta enzima. Já a inibição da CYP3A4, por exemplo pelo cetoconazol, pode levar ao aumento da concentração sérica da budesonida.


                 ↓ CYP3A4 => budesonida ≠> alteração CYP3A4

Os efeitos laterais são, em geral, leves a moderados, e sem características sérias. Efeitos cushingóides, típicos dos glucocorticóides sistémicos, podem surgir e seu grau é dependente de vários factores como dose, duração do tratamento, ingestão prévia e concomitante de glucocorticóides bem como da sensibilidade individual. Outros efeitos laterais que podem surgir são dispneia, tremores, cãimbras musculares, nervosismo, reacções cutâneas ( urticária ou rush ), palpitações, visão embaciada e distúrbios menstruais.
Como corticóide que é, a suspensão do tratamento com budesonida tem de ser feito seguindo um plano de desmame. A budesonida apresenta uma acção anti-inflamatória local significativa..
Acções anti-inflamatórias, como a inibição da libertação de mediadores inflamatórios ou respostas imunológicas mediadas por citoquinas, são importantes na doença de Crohn. A budesonida, por ser de acção tópica, apresenta eficácia semelhante à da prednisolona mas com efeito no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal significativamente menor bem como sobre os marcadores sistémicos inflamatórios.

A budesonida pode ter de ser tomada com precauções, ou mesmo suspensa, quando o doente tem sarampo, varicela, tuberculose ou quando tem glaucoma. - A budesonida diminui a taxa de recaída em doentes com doença de Crohn em fase de remissão e aumenta o período dessa remissão.