sábado, março 10, 2018

B N P

Péptideo Natriurético Cerebral
B N P


O BNP é um peptídeo secretado pelos miócitos cuja função é normalizar a volémia sanguínea e a tensão arterial quando a musculatura cardíaca for excessivamente distendida.
A descoberta da presença do peptídeo ANP nas células cardíacas, conferiu ao coração o estatuto de órgão endócrino, para além do de bomba propulsora de sangue.


Outros peptídeos natriuréticos, para além do ANP, foram descobertos, sendo o BNP produzido nas paredes ventriculares, e que tinha sido inicialmente descoberto no cérebro, e o CNP encontrado no sistema nervoso mas produzido por células endoteliais.


O gene codificador do ANP localiza-se no cromossoma 1, nascendo com uma composição de 151 aminoácidos e com a designação de pré-pro-ANP, passando à forma de pró-ANP pela perda de 25 aminoácidos, levado ao complexo de Golgi e sendo clivado de novo numa cadeia funcional de 28 aminoácidos – ANP – e um fragmento aminoterminal de 98 aminoácidos – NT-pro-ANP – sofrendo então o ANP um processo de exocitose.


O ANP é produzido nos ventrículos, na altura do nascimento, e com o decorrer da idade vai progressivamente a sua síntese alterar-se para as aurículas.
A sinalização para a libertação do ANP é a distensão das paredes auriculares do coração. A sua libertação é influenciada pelo elevado débito cardíaco, factores metabólicos e estimulação simpática. A hipóxia também tem influência na libertação do ANP. O ANP também apresenta a sua libertação estimulada pela endotelina 1, um vasoconstritor da musculatura lisa arterial.


A libertação do ANP é inibida por angiotensina, catecolaminas, acetilcolina, arginina, vasopressina, prostaglandinas, glicocorticóides e hormonas da tiróide.
A ANP para actuar tem de se ligar a receptores específicos da membrana, sendo que se encontraram 3 receptores: ANPA, ANPB e ANPC. Os receptores ANPA e ANPB apresentam actividade guanilato ciclase e estão ligados ao normal funcionamento dos peptídeos. O ANP e o BNP ligam-se ao primeiro receptor, enquanto que o CNP se liga ao segundo. O receptor ANPC liga-se à degradação dos 3 peptídeos natriuréticos para a sua concentração sérica ser diminuída quando já não forem necessários actuar.


O ANP tem como principal alvo a musculatura lisa dos vasos sanguíneos e os rins sendo que a musculatura lisa é distendida pela acção da ANP aumentando a permeabilidade capilar e levando à saída da água e sódio dos vasos sanguíneos. Aldosterona, angiotensina II, endotelina, renina e vasopressina são inibidos pela acção da ANP. A absorpção do sódio é inibida nos ductos colectores glomerulares, bem como a aldosterona é também inibida e neutralizado o sistema renina-angiotensina-aldosterona com maior excreção renal de sódio e água.
O ANP tem uma semi-vida de 2-5 minutos


O ANP e o NT-pro-ANP são libertados na corrente sanguínea em concentrações equimolares, mas a taxa de degradação de NT-pro-ANP é menor do que a do ANP , pelo que em doentes com patologia renal ou insuficiência cardíaca, as concentrações de NT-pro-ANP superam em cerca de 4 vezes as concentrações de ANP.
O ANP, bem como o BNP, podem ser usados como marcadores seja na prevenção de doenças ou no diagnóstico diferencial dessas doenças.



O diagnóstico de ICC é feito com base na história clínica, exame físico, raio X toráxico e ecocardiograma, não sendo nenhum teste isolado específico de ICC.


Concentrações séricas específicas dos peptídeos natriuréticos, peptídeos atriais natriuréticos ( ANP ) e peptídeos atriais natriuréticos tipo B ( BNP ) apresentam-se elevadas geralmente nas ICC. Estes peptídeos natriuréticos são importantes marcadores de ICC, capazes de distinguir a dispneia por falência cardíaca da secundária à doença pulmonar.
O ANP é armazenado na aurícula direita, sendo excretado quando a pressão diastólica auricular aumenta.
O BNP, armazenado no ventrículo, é libertado quando aumentam as pressões diastólicas ventriculares.
Tanto o ANP como o BNP têm função vasodilatadora e natriurética renais, contrabalançando a retenção hidríca do sistema renina-angiotensina-aldosterona.
Os recém-nascidos apresentam normalmente concentração de ANP e BNP elevadas, diminuindo com o decorrer da idade até aos níveis dos adultos ao fim de algumas semanas.


O BNP é o peptídeo, biologicamente activo, formado por 32 amino-ácidos com uma estrutura em anel constituída por 17 aminoácidos ligados por uma ponte dissulfeto entre as cistinas nas posições 10 e 26. O gene para o BNP encontra-se no cromossoma 1 no seu braço curto.
Outro peptídeo encontrado é o NT-pro-BNP, formado por 76 aminoácidos.
Ambos os peptídeos, ANP e BNP, compartilham um receptor comum que tem por função mediar a resposta natriurética renal pelo aumento da taxa de filtração glomerular e o bloqueio da reabsorpção de sódio nos ductos colectores medulares internos.


ANP e BNP têm a capacidade de reduzirem o tónus simpático na vascularização periférica.



O equilíbrio do sódio é mantido, em grande parte, pela acção do ANP e, em menor grau, pelo BNP.
Verificam-se alterações das concentrações de ANP e BNP com o consumo de sódio e interacções de ANP e BNP com o eixo renina-angiotensina-aldosterona resultam num ajuste fino do sistema de controlo de sódio.


O estiramento da parede cardíaca é o maior estímulo à libertação de ANP e BNP, pelo que a principal função do doseamento destes peptídeos, e particularmente BNP e NT-pro-BNP, é a monitorização da insuficiência cardíaca.


Existem 4 tipos de peptídeos natriuréticos: ANP, BNP, CNP e DNP.
Enquanto o ANP e o BNP são produzidos nas aurículas ( ANP ) e ventrículos ( BNP ) e a sua secreção é fundamentalmente estimulada pela distensão das paredes cardíacas dessas câmaras e aumento da tensão arterial. Os efeitos agudos daqueles peptídeos natriuréticos são o aumento da filtração glomerular e excreção renal de sódio e água, bem como a inibição da secreção de renina e aldosterona. Vasodilatação sistémica e renal é um efeito dos peptídeos ANP e BNP. Outros efeitos são aumento da permeabilidade vascular, antiinflamatórios, antiproliferativos e antifibróticos.
A maioria dos efeitos dos peptídeos natriuréticos apresenta mediação pelos receptores específicos da membrana capazes de estimularem a guanilato ciclase e produzirem GMPc.


A vasodilatação venosa e arterial é o principal efeito dos peptídeos natriuréticos, quer por mecanismos directos quer indirectos. Efeitos endócrinos e parócrinos são exercidos nos cardiomiócitos pelos peptídeos natriuréticos . O BNP produz efeitos antiproliferativos e antifibróticos pela inibição do β-TGF.

Na ICC verificam-se níveis aumentados no soro de ANP e BNP, sendo que os níveis circulantes se correlacionam com o grau de disfunção cardíaca. Note-se que apesar das concentrações séricas do ANP e BNP estarem aumentadas no soro, os seus efeitos apresentam-se bloqueados por resistência periférica.
BNP e NT-pro-BNP têm sido também usados como marcadores biológicos na doença coronária em doentes com doença renal crónica.
Em doentes com insuficiência cardíaca, a resposta renal a ANP e BNP encontra-se diminuída pela baixa pressão de prefusão renal devido à redução de débito cardíaco.

Verifica-se haver activação do sistema natriurético sempre que o coração é agredido, seja por agressão aguda ou crónica, como tentativa de compensar a vasoconstrição que se verifica, sendo a diurese e a vasodilatação as principais acções que se manifestam.
A isquémia miocárdica também é capaz de libertar BNP pelo aumento da tensão parietal devida à disfunção sistólica ou diastólica que se verifica.
O BNP, nos indivíduos normais, pode sofrer influência pela idade e sexo, sendo mais elevado nos idosos e nas mulheres.

O doseamento do BNP pode ter utilidade em diversas patologias.


Assim:
  • a principal utilização do BNP é na insuficiência cardíaca, tanto no diagnóstico como na monitorização
  • o diagnóstico de disfunção sistólica do ventrículo esquerdo, apresentando valores da ordem dos 80% para sensibilidade e valor preditivo positivo e de 97% para especificidade e valor preditivo negativo quando as concentrações de BNP atingem 60 pg/ml
  • diagnóstico e prognóstico de insuficiência cardíacas em doentes no ambulatório, com valores de sensibilidade, especificidade e VPN superiores a 80% e de VPP de 70%; os valores de BNP correlacionam-se bem com o grau de mortalidade
  • monitorização terapêutica
  • diagnóstico de insuficiência cardíaca em doentes hospitalizados, observando-se concentrações mais elevadas de BNP nestes doentes com valores de sensibilidade, especificidade, VPP e VPN superiores a 97%
  • diagnóstico de IC diastólica

O BNP tem-se vindo a revelar um bom marcador de prognóstico em doentes com síndrome coronário agudo, seja com ou sem supradesnivelamento do segmento ST.
O BNP é um bom parâmetro de preditor de mortalidade seja cardiovascular ou não cardiovascular.


O BNP, como bom, preditor de mortalidade, é utilizado para indicação de uso ou não de desfibrilador.
Estenose aórtica, embolia pulmonar, hipertensão pulmonar primária, síncope , são outras patologias em que o doseamento de BNP pode ter indicação.


A concentração normal de BNP varia entre zero e 70 pg/ml. A insuficiência renal é uma patologia extracardiovascular que pode fazer subir a concentração sérica do BNP


domingo, fevereiro 04, 2018

Neoplasia colorrectal combatida com recurso a bróculos

Neoplasia colorrectal combatida com recurso a bróculos

Um estudo demonstrou a capacidade da E. coli Nissle em conjunto com a ingestão de bróculos poder combater as neoplasias colorrectais.
A E. coli Nissle, manipulada geneticamente, foi transformada num probiótico capaz de aderir às células neoplásicas do cancro colorrectal, e segregou uma enzima com a capacidade de converter uma substância presente nos bróculos e couves num potente anticarcinogéneo. Verificou-se que as células neoplásicas entrando em contacto com esse agente morriam, enquanto que as células normais não sofriam qualquer acção negativa, pois não actuavam sobre o agente antineoplásico resultante da acção da E. Coli Nissle sobre a substância dos vegetais crucíferos.

A eficácia antineoplásica daquele combinado foi de 95%. Noutros tipos de cancro, como o da mama ou estômago, não se observaram estes efeitos antineoplásicos.
A mistura do probiótico com extracto vegetal funciona como prevenção do desenvolvimento da neoplasia colorrectal bem como extreminador das células cancerosas remanescentes após a excisão cirúrgica do cancro.

sábado, janeiro 27, 2018

Dieta hiperproteica acalma a inflamação intestinal

Dieta hiperproteica acalma a inflamação intestinal

Lactobacillus reuteri é uma bactéria da flora comensal intestinal normalmente presente no intestino humano. A combinação desta bactéria com uma dieta hiperproteica, leva a um sistema imunitário intestinal mais tolerante e uma menor inflamação.
O Lactobacillus reuteri necessita do aminoácido triptofano para levar ao surgimento das células imunitárias. O triptofano é um aminoácido essencial que se encontra em alimentos como ovos, carne de aves, iogurtes, feijão, frutos de casca rija, queijo, chocolate e outros.

Foi verificado num estudo efectuado com ratinhos que quanto maior a quantidade ingerida de triptofano maior o número de células imunitárias e o contrário também se confirmou. Esta confirmação ainda não foi feita em humanos mas parece ser verídica.
Verificou-se também que defeitos a nível genético relacionados com o triptofano foram observados em doentes com DII.

Sendo que estes dados se confirmem, a combinação de Lactobacillus reuteri com uma dieta hiperproteica rica em triptofano levará à formação de um ambiente intestinal mais tolerante com menor grau de inflamação com consequente alívio das dores abdominais e diarreia características da DII.

quinta-feira, novembro 30, 2017

Síndrome de Richter

Síndrome de Richter

Síndrome de Richter é uma complicação rara da LLC, em que há uma evolução para uma forma mais agressiva, em que as células B apresentam um crescimento mais rápido.
O síndrome de Richter se apresenta em 2-8% dos casos de LLC.
Os doentes com síndrome de Richter apresentam sintamatologia B: febre, emagrecimento e perda de massa muscular e adenopatias. O tumor acelera-se num ou mais gânglios, atingindo o fígado, pele , ossos e tracto gastrointestinal. Mesmo em doentes com LLC em remissão, o síndrome de Richter pode aparecer de forma repentina, tendo um prognóstico muito grave, com sobrevida da ordem dos 5-8 meses.
Na transformação de LLC, no síndrome de Richter, pode haver evolução para linfoma não-Hodgkin com alto grau de malignidade, mieloma múltiplo ou leucemia linfoblástica ( LLA ) ou prolinfocítica.
A evolução mais frequente de LLC, nas situações de síndrome de Richter, é para linfoma não Hodgkin difuso de grandes células ( ocorrendo em 65-70% das evoluções de LLC para síndrome de Richter )

O síndrome de Richter caracteriza-se pela presença de febre, emagrecimento, adenopatias assimétricas e de crescimento rápido, deterioração clínica, aumento de LDH e sobrevivência de 5-8 meses.

A evolução da LLC pode dar-se no sentido de linfoma não Hodgkin difuso de grandes células ( 65-70% das situações ), leucemia pro-linfocítica ( 15-20% dos casos ), doença de Hodgkin ( aparece em 15% dos casos ) ou mieloma múltiplo ( ocorre em menos de 1% das situações ) ou LLA ( também em menos de 1% dos doentes ).
A transformação imunoblástica é reconhecida na LLC e apresenta-se em 3-5% dos casos. Raras vezes a transformação tem localização na medula óssea e dificilmente as células transformadas são observadas na circulação periférica, sendo nestes casos células semelhando as da leucemia aguda com blastos grandes expressando imunoglobulinas de superfície da membrana ( SmIg )e alguns marcadores de LLC. O síndrome de Richter apresenta muitas vezes monoclonalidade proteica sérica ou cadeias leves na urina. A hipercalcemia, rara na LLC-B, pode ser um sinal de síndrome de Richter.
A evolução para leucemia a prolinfócitos corresponde a 15-20% dos casos de síndrome de Richter, ocorrendo a transformação em 2-5% dos doentes e 24-36 meses após o diagnóstico de LLC ter sido feito, tendo uma sobrevida de 6-12 meses. De início insidioso, cursa com esplenomegalia volumosa e adenopatia progressiva. Anemia, trombocitopenia e aumento do número dos prolinfócitos verificam-se, sendo que mais de 30% das células leucémicas são prolinfócitos de origem B ou T. Hipercalcemia não é frequente e as células B são CD5 negativas e SmIg fortemente positivas.

Cerca de 1% das LLC originam síndrome de Richter com evolução para doença de Hodgkin, o que representa cerca de 15% de todos os casos de síndrome de Richter, surgindo 44 meses após o diagnóstico de LLC ser feito, com sintomatologia B em mais de metade dos doentes, doença em estadio III-IV, com esplenomegalia e anemia hemolítica auto-imune. Tem uma sobrevida de cerca de 13 meses.

Em menos de 1% dos casos de síndrome de Richter, a transformação é feita para mieloma múltiplo com sintomatologia sistémica ( febre, emagrecimento ) e lesões extra-ósseas.
A evolução do síndrome de Richter para LLA apresenta-se em menos de 1% dos casos de síndrome de Richter, sendo esta evolução para LLA indistinguível da LLA de novo.


Patogénese

  • Citogenética: trissomia 12 é uma anormalidade citogenética comum, podendo associar-se a outras alterações cromossómicas ou aparecendo isolada. A trissomia 12 pode ser um marcador de transformação de LLC em leucemia a prolinfócitos
  • Imunossupressão: nos doentes com LLC, o sistema imune dos doentes é deficiente, apresentando os doentes um maior risco de uma segunda neoplasia surgir. Imunossupressão provocada por terapêutica pode contribuir para surgimento de síndrome de Richter
  • p53: gene cuja mutação se relaciona com o surgimento de prolinfócitos, como acontece com a trissomia 12
  • c-myc: proto-oncogéneo encontrado nos tumores com alto índice mitótico, pode relacionar-se com síndrome de Richter que apresenta transformação blastóide ( LLA ) e linfoma não Hodgkin difuso de grandes células ( LDGC )
  • EBV: este vírus, em doentes com LLC, tem-se associado à transformação para LDGC e doença de Hodgkin

O síndrome de Richter pode ser induzido por processo viral ou mutações genéticas, apresentando-se os doentes com uma sobrevida curta, mesmo tratados agressivamente com quimioterapia, sendo que a sobrevida depende da variante do síndrome de Richter.


Em conclusão podemos dizer que o síndrome de Richter é uma situação rara, muito grave, na qual a LLC se transforma em linfoma de crescimento rápido. No síndrome de Richter, os doentes apresentam sintomatologia B: febre, emagrecimento, perda de massa muscular, adenopatias, astenia.

Ño síndrome de Richter, o fígado, pele, osso e tracto gastrointestinal são atingidos.

domingo, novembro 19, 2017

Resumo estatístico do 5º ano do blogue

Resumo estatístico do 5º ano do blogue

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sábado, setembro 16, 2017

Chocolate: alimento cerebral

Chocolate: alimento cerebral

Foi estudada a acção dos flavonóides do cacau sobre o cérebro, por administração aguda e crónica, observando-se os efeitos a nível dos domínios cognitivos.

Foram observados resultados diversos, e inesperados, da administração do cacau. Assim verificou-se que após uma noite mal dormida, o cacau tem a capacidade de actuar contra os problemas cognitivos daí resultantes, nomeadamente menor eficácia do desempenho das tarefas. Verificou-se, contudo, que os efeitos são dependentes da extensão e exigência mental dos testes cognitivos, sendo que nos jovens apenas nos testes bastante exigentes os efeitos comportamentais subtis dos flavenóides do cacau, sobre a eficácia cerebral, foram observados.
Indivíduos idosos beneficiam, do consumo diário dos flavonóides do cacau, por um período prolongado, sob o ponto de vista cognitivo. A velocidade de processamento da informação, a atenção e a memória operacional, são muito beneficiadas pela ingestão de flavonóides do cacau, sendo estes benefícios mais relevantes nos indivíduos que começam a apresentar problemas a nível da memória ou outros problemas cognitivos leves.


O chocolate preto é uma fonte importante de flavonóides do cacau na alimentação e, assim, é aconselhável a sua ingestão diária em quantidades razoáveis.

Vitamina D e queimaduras solares

Vitamina D e queimaduras solares

Foi demonstrada a utilidade da vitamina D no combate às queimaduras solares, sendo que a administração de vitamina D uma hora após a queimadura solar diminui de forma significativa a sintomatologia, nomeadamente a inflamação, tumefação e ruborização das zonas afectadas.
A dose administrada de vitamina D deve ser alta, da ordem das 50000 a 200000 UI, sendo que quanto mais elevada for a dose, menores os sinais de queimadura se observam, inclusivamente a actividade genética que se relaciona com a reparação da barreira cutânea após 48 horas de se ter feito a queimadura.
Destes estudos se conclui que a vitamina D aumenta os índices cutâneos da enzima anti-inflamatória arginase-1, enzima que promove o aumento da reparação tecidular após terem sofrido os danos, contribuindo também para activar outras proteínas com actividade anti-inflamatória.

Estes estudos, ainda em fase preliminar, não podem servir de base à administração de vitamina D nos casos de queimadura solar, dado que as doses vitamínicas administradas são muito elevadas, pelo que são precisos mais estudos para ser apurada a terapêutica baseada na vitamina D.

Suplementação de vitamina D: utilização de vitamina D2 ou D3?

Suplementação de vitamina D: utilização de vitamina D2 ou D3?

Foi demonstrado que a suplementação de vitamina D é diferente consoante se use vitamina D2 ou vitamina D3, ao contrário do que é aceite globalmente.

Foi observado que a vitamina de origem animal ( vitamina D3 ) tem sensivelmente uma eficácia dupla da de origem vegetal ( vitamina D2 ) quando se pretende o objectivo de subida de concentração sérica humana da vitamina D, tendo sido observados valores de subida da ordem dos 74-75% nos doentes que tomaram vitamina D3, enquanto que a subida da concentração de vitamina D no soro dos doentes suplementados com vitamina D2 se ficou pelos 33-34%, num período de tratamento de 12 semanas.

domingo, julho 09, 2017

Electroforese das proteínas séricas

Electroforese das proteínas séricas


No plasma humano existem mais de 500 proteínas sendo, entre outras, proteínas transportadoras, anticorpos, enzimas e seus inibidores, factores de coagulação e muitas outras.
Tanto em doenças agudas como crónicas, a diminuição das concentrações proteicas no soro e suas quantificações em termos percentuais apresentam grande valor diagnóstico.
A electroforese das proteínas é uma técnica que consegue separar as proteínas séricas, entre si, baseando-se na migração de cada proteína provocada por uma corrente eléctrica que se aplica.
Electroforese das proteínas do soro é um exame analítico que é pedido quando se investiga um doente com sintomatologia que faça suspeitar de mieloma múltiplo.


Também pode ser requesitado para investigar situações de concentração anormal de proteínas e/ou albumina, proteinúria, hipercalcémia e diminuição da contagem dos eritrócitos ou leucócitos. Nos casos de suspeita de doença inflamatória, doença auto-imune, infecção aguda ou crónica, hepatopatias ou nefropatias ou alguma patologia que origine perda proteica, deve ser pedido o estudo electroforético de proteínas.
Na normalidade, a electroforese separa 5 bandas: albumina, α1-globulina, α2-globulina, β-globulina ( que se pode subdividir em β1-globulina e β2-globulina ) e γ-globulina. É possível, por vezes, observar-se uma banda anterior à da albumina, denominada pré-albumina. Enquanto a banda da albumina é bastante homogénea, já as restantes bandas são, normalmente, muito heterogéneas constituídas por uma mistura de diferentes proteínas.

Padrão electroforético normal



  1. Pré-albumina: sintetizada no fígado, é a proteína transportadora da tiroxina ( T4 ) e tem papel significativo no metabolismo da vitamina A. Muitas vezes não observável na electroforese com padrão normal dada a sua baixa concentração sérica. A electroforese do LCR revela-a pois passa a barreira hematoencefálica bem como é sintetizada no plexo coróide. Encontra-se, a pré-albumina, diminuída em situações de hepatopatias e infecções agudas de etiologia diversa, estando aumentada em doentes a fazerem esteróidoterapia ou com falência renal e na gravidez. A pré-albumina é um bom marcador do estado nutricional dada a sua semi-vida curta e ser bastante sensível ao aporte alimentar;
  2. Albumina: constitui cerca de 60% das proteínas séricas, é de síntese exclusivamente hepática. A albumina apresenta 20 variantes genéticas, sendo a mais comum a albumina A. esta variação pode ocasionar o surgimento de uma banda larga ou 2 faixas distintas, a que se chama de bisalbuminemia. Para ser visualizada na electroforese uma diminuição da concentração de albumina, é preciso ter havido, pelo menos, uma perda de um terço da sua concentração;
  3. Banda da α1-globulina: α1-antitripsina constitui cerca de 90% das proteínas desta banda, sendo que a ausência de α1-antitripsina na electroforese só é detectável nos casos de homozigotia. É uma proteína de fase aguda. Os restantes 10% de proteínas desta banda são formadas por α1-glicoproteína ácida, α-fetoproteína, protrombina, transcortina, globulina ligadora da tiroxina e outras. Eleva-se em doenças inflamatórias agudas e crónicas, neoplasias, traumatismos ou cirúrgias, gravidez e com terapêutica estrogénica. No hepatocarcinoma aparece aumentada, dada a subida da α-fetoproteína;
  4. Banda da α2-globulina: migram nesta faixa a haptoglobina, α2-macroglobulina e a ceruloplastina. É muito raro encontrar-se alteração desta faixa dado que a diminuição duma proteína que migra nesta banda é compensada pela subida de outra que migra na mesma faixa. α2-Macroglobulina eleva-se no síndrome nefrótico. Haptoglobina e ceruloplasmina elevam-se em situações de fase aguda. Haptoglobina baixa em hepatopatias graves, anemia megaloblástica ou em casos de hemoglobina livre como situações de hemólise e na corticoterapia;
  5. Banda da β-globulina: é nesta faixa onde migram as β-lipoproteínas ( LDL ), transferrina, componente C3 do complemento bem como outros componentes do sistema complemento, β2-microglobulina e anti-trombina III. Raramente há redução desta banda. Transferrina sobe em casos de baixa de ferro. Doenças que originam aumento lipídico como hipotiroidismo, cirrose biliar ou nefrose, ocasionam aumento da LDL e, desta forma, aumento desta banda. Cirrose hepática quase sempre cruza com aumento desta faixa e, por haver subida da IgA, origina fusão β-γ. Esta fusão também pode aparecer em casos de artrite reumatóide;
  6. Gamaglobulina: composta pelas imunoglobulinas, sendo a IgG a que predomina. Na área de junção com a β-globulina migram as restantes imunoglobulinas e a PCR. Aumento desta banda sugere aumento policlonal das gamaglobulinas associadas a doenças inflamatórias crónicas, reacções imunológicas, hepatopatias ou neoplasias disseminadas. Infecções virais crónicas e, menos frequentemente, infecções bacterianas como pneumonia a pneumococo e hepatite crónica activa podem ocasionar o aparecimento de bandas oligoclonais. Tuberculose, sarcoidose, linfogranuloma venéreo e sifílis terciária podem aumentar esta banda. Linfomas, doença de Hodgkin e LLC podem também aumentar a banda das gamaglobulinas. Mieloma múltiplo e doença de Waldenstrom exibem pico monoclonal.

Padrões típicos de electroforese de proteínas séricas

  • Gamapatia policlonal: onde a fracção elevada corresponde a fracção de globulinas; há que excluir a gamapatia monoclonal;


  • Síndrome nefrótico: padrão electroforético demonstra perda crónica de albumina e IgG e retenção de proteínas de alto peso molecular ( α2-macroglobulina e outras );


  • Cirrose hepática: fusão beta -gama


  • Inflamação aguda: discreta diminuição de albumina e γ-globulina e aumento da α2-globulina, sendo por vezes superior à fracção γ-globulina;


  • Proteína monoclonal: aparece um pico monoclonal na região gama;


  • Gamapatia biclonal.



No traçado electroforético, podem aparecer bandas normalmente não visualizáveis como um pico entre a albumina e a α1-globulina, representando um aumento da alfa-fetoproteína. Subida grande da concentração de PCR pode causar o aparecimento de uma faixa na região das gamaglobulinas. Depois da região gama, pode surgir uma banda causada pelo aumento de lisozima em situação de leucemia monocítica.
Pico monoclonal aparece na região gamaglobulina, menos frequentemente na região β-globulina e, em casos raros, na região α2-globulina, consistindo dum pico delgado, homogéneo e fusiforme, que geralmente se associa a mieloma múltiplo ou macroglobulinemia de Waldenstrom, gamapatias secundária monoclonal e idiopáticas.

Um padrão electroforético de proteínas séricas apresenta os seus valores de referência como sendo:
 - Proteínas de 6.4 a 8.1 g/dl
 - Albumina  de 4.0 a 5.3 g/dl  numa percentagem de 56.4 a 71.6 %
 - banda da α1-globulina de 0.1 a 0.3 g/dl numa percentagem de  1.9 a 4.5 %
 - banda da α2-globulina  de 0.5 a 1.1 g/dl numa percentagem de 7.3 a 15.0 %
 - banda da β-globulina  de 0.4 a 0.9 g/dl numa percentagem de 6.2 a 11.5 %
 - banda da γ-globulina  de 0.5 a 1.4 g/dl numa percentagem de 7.8 a 18.2 %
 - Relação albumina/globulina de 0.9 a 2.0

Situação de enfarte do miocárdio cruza com aumento de α1-globulina e α2-globulina.
Mieloma múltiplo, cujo pico monoclonal é característico na banda gamaglobulina, também revela diminuição da albumina.


Na região entre a albumina e a α1-globulina migram a alfa-fetoproteína e a α-lipoproteína. Enquanto em indivíduos normais a concentração de alfa-fetoproteína é reduzida, e como tal não se observa num padrão electroforético normal ( nos recén-nascidos a concentração é mais alta e observa-se esta banda ), já a α-lipoproteína não é geralmente visualizável, dada a fraca afinidade pelo corante usado.



Imunização realizada nos últimos 6 meses pode causar aumento das imunoglobulinas. Também medicamentos como a fenitoína, procainamida, contraceptivos orais, metadona e gamaglobulinas podem originar aumento das imunoglobulinas e assim alterar o traçado da fracção gama globulina na electroforese. Aspirina, bicarbonato, clorpromazina, corticóides e neomicina também podem alterar o traçado electroforético.

As proteínas séricas, que se dividem em 5 grupos identificados na electroforese das proteínas, são as seguintes:
  • albumina com função no transporte de substâncias e crescimento e reparação dos tecidos;
  • banda da α1-globulinas cujos níveis se elevam nas doenças inflamatórias;
  • banda da α2-globulinas envolvidas na inflamação;
  • banda da β-globulinas que transportam substâncias, ajudam na imunidade e elevam-se em situação de mieloma múltiplo, hipercolesterolemia e aterosclerose;
  • banda da γ-globulinas com acção no sistema imunológico, aumentam no mieloma múltiplo, doenças auto-imunes como artrite reumatóide ou LES.



De entre as proteínas que migram na banda das β-globulinas, a transferrina é a que possui o mais rápido padrão electroforético enquanto que C3 é a que possui a migração mais lenta e a sua queda relaciona-se com doença glomerular.
Na banda α2-globulina migram, entre outras proteínas, a haptoglobina, a α2-macroglobulina, a ceruloplasmina, a eritropoietina e a colinesterase.


Interpretação e correlação clínica da electroforese das proteínas

  1. Pico policlonal: é um traçado que se visualiza numa resposta imunológica simultânea de diversos clones plasmocitários a um estímulo antigénico inflamatório, imune ou infeccioso como sejam tuberculose, esquistomatose, kalazar, sarcoidose, linfogranuloma venéreo, sífilis, artrite reumatóide, LES e politransfusão de componentes sanguíneos. A fracção gama da electroforese apresenta aumento difuso, representado por uma curva de base larga, significando produção de todas as classes de imunoglobulinas;
  2. Pico monoclonal: traçado representativo de um aumento homogéneo e fusiforme da fracção gama, devido a hiperprodução por um só clone plasmocitóide de uma imunoglobulina específica. O traçado mostra uma curva de base estreita e altura superior ao dobro da base. Quando a IgA é a imunoglobulina envolvida, esta pode apresentar o pico monoclonal na região da β-globulina.

A relação albumina/globulina pode dar importantes informações para o diagnóstico. Assim, uma relação baixa pode apontar para hiperprodução das globulinas, como acontece nas doenças auto-imunes, ou uma produção deficitária de albumina, como acontece na cirrose. A relação albumina/globulina elevada aponta para uma produção deficitária das imunoglobulinas, como acontece em alterações genéticas e algumas leucemias.

Outra zona do traçado electroforético é a chamada interzona albumina-alfa1 que não é uma curva mas sim um espaço totalmente branco, onde migram a alfa-fetoproteína e a α-lipoproteína, que não são habitualmente visíveis, a primeira ( α-FP ) por se apresentar em concentrações muito baixas e a segunda ( α-lipoproteína ) pela muito fraca afinidade aos corantes utilizados. A α-lipoproteína aumenta em casos de alcoolismo crónico, subnutrição ou hepatopatia grave. No recém-nascido a α-FP apresenta-se mais elevada do que nos adultos e, assim, apresenta-se visível no traçado electroforético normal.



A α1-antitripsina, que corresponde a cerca de 90% das proteínas da fracção α1-globulina, tem por função neutralizar as actividades das enzimas proteolíticas bacterianas ou leucocitárias que actuam nos processos inflamatórios agudos, e assim a α1-antitripsina sobe nestes processos inflamatórios agudos com correspondente aumento da fracção α1-globulina. Hepatopatias agudas ou crónicas mostram aumento de α1-antitripsina, que diminui nas fases terminais da cirrose hepática. Outras proteínas que migram na fracção α1-globulina são a α1-glicoproteína ácida ( cuja subida não é manifestada no traçado electroforético dada a baixa afinidade pelos corantes ) e a α1-antiquimiotripsina ( que aumenta na fase aguda inflamatória e se visualiza na traçado electroforético por técnicas de nível 3 ).

Na zona da α2-globulina migram a α2-macroglobulina, com mobilidade maior, e a haptoglobina. A haptoglobina, que forma um complexo com a hemoglobina livre no plasma, é removida por fagocitose das células do sistema retículo-endotelial, apresentando-se reduzida em casos de hemólise.
A haptoglobina também é uma proteína de fase aguda positiva aumentando nos processos inflamatórios agudos.




Na zona β-globulina migram a transferrina e o C3, sendo que esta é um mediador de reacções imunitárias e a sua diminuição significa consumo da activação da cascata do complemento. O C3 participa também nos processos inflamatórios agudos, mostrando elevação nas fases tardias.
A β-lipoproteína também migra nesta zona mas não é revelada dada a fraca afinidade aos corantes.
Bandas monoclonais podem encobrir esta zona β-globulina.



A antibioterapia pode causar uma situação conhecida por bisalbuminemia, que é revelada na electroforese por aparecimento de 2 picos na faixa da albumina. Bisalbuminemia também pode aparecer em doentes com ascite ou pseudoquisto pancreático.
A interzona albumina/alfa-1-globulina, pode revelar aumentada intensidade em casos de alcoolismo crónico e na gravidez.
Na banda α2-globulina migram a haptoglobina, α2-macroglobulina e a ceruloplasmina. A banda β-globulina subdivide-se em 2 fracções: β1-globulina, onde migram a transferrina e hemopexina, e β2-globulina, onde migra o complemento C3.

O aumento dos níveis das imunoglobulinas que se reflete na banda das gamaglobulinas na electroforese, pode apresentar a forma policlonal, monoclonal ou oligoclonal.




Picos policlonais surgem em situações de infecção, inflamação crónica, hepatopatias e neoplasias e refletem produção heterogénea de anticorpos.
Dois ou mais picos monoclonais aparecem em situações de bandas oligoclonais e surgem em hepatite aguda fulminante, infecções virais crónicas, infecções bacterianas e imunodeficiência.
Já os picos monoclonais resultam da produção acrescida de uma só classe ou subclasse das imunoglobulinas produzidas por linfócitos B ou plasmócitos.


 


Taxas elevadas das proteínas do plasma aparecem em função quer do aumento da produção das globulinas quer da hemoconcentração que se verifique.

As imunoglobulinas migram na zona das gamaglobulinas, podendo ainda atingir a banda das β-globulinas. No entanto, constituem um acúmulo heterogéneo de proteínas sendo que a IgA é a com maior mobilidade ( a mais anódica ) enquanto a IgM é a menos anódica. A IgG ocupa a posição intermédia.



As principais gamapatias monoclonais malignas são o mieloma múltiplo, amiloidose, macroglobulinemia de Waldenstrom, plasmocitoma e doença de cadeias pesadas. MGUS é uma situação benigna em que há aumento monoclonal de plasmócitos e verifica-se uma incidência de 1% ao ano de progressão para uma das gamapatias malignas atrás mencionadas.



As gamapatias monoclonais estão associadas a processos malignos e potencialmente malignos enquanto que as gamapatias policlonais se associam fundamentalmente a reacções inflamatórias ou reactivas com regressão expontânea. Gamapatias monoclonais também se associam, para além dos processos malignos, a doenças hematológicas como leucemias ou linfomas e outros, doenças reumatológicas, neurológicas, dermatológicas ou imunossupressoras.