quarta-feira, maio 20, 2015

Fósforo

Fósforo


Fósforo, importante elemento profundamente distribuído pelo organismo humano, apresenta-se sob a forma de fosfato orgânico ou inorgânico, estando cerca de 85% ( sob a forma de fosfato inorgânico ) no esqueleto e os restantes 15% apresentam-se combinados com lípidos, proteínas e carbohidratos e fazendo parte de substâncias orgânicas, como fosfolípidos, ácidos nucleicos, fosfoproteínas e compostos de alta energia envolvidos no armazenamento e troca de energia.


O fósforo é um mineral necessário para o desenvolvimento dos dentes e ossos. O fósforo é importante para a contracção muscular e sinalização nervosa. O fósforo é importante na função muscular, controlo do pH sanguíneo, produção de energia, produção das hormonas entre outras funções importantes.

A homeostasia do fósforo depende fundamentalmente de 3 órgãos: intestino delgado que o absorve, rins que o reabsorve e filtra ( envolvido na excreção ) e ossos para o armazenamento.


Cerca de 66% do fósforo ingerido é absorvido de forma activa, principalmente no jejuno, e o restante é excretado pelas fezes.
A absorpção do fósforo aumenta com a diminuição da ingestão do cálcio, com a diminuição do pH intestinal, pela acção da vitamina D e a hormona de crescimento. A paratormona tem acção na absorpção do fósforo como efeito indirecto do metabolismo da vitamina D.



90% do fósforo plasmático é filtrado nos glomérulos renais e quase totalmente reabsorvido nos túbulos renais.
A concentração sérica do fósforo é inversamente proporcional à do cálcio sérico ( assim como o magnésio que tem um anti-paralelismo com a concentração do cálcio sérico ).

fósforo sérico ==> cálcio sérico

Há aumento da fosfatémia com a diminuição da filtração glomerular, aumento da reabsorpção tubular renal e do aporte exógeno ou endógeno.
A diminuição da concentração sérica do fósforo aparece nas situações de alterações tubulares e aumento das perdas. A paratormona inibe a reabsorpção tubular renal pelo que no hiperparatiroidismo primário há um aumento do fósforo urinário.


Os níveis séricos de fósforo dependem da alimentação, sendo que enquanto uma alimentação rica em carbohidratos pode levar a significativo decréscimo, já uma alimentação rica em alimentos enlatados, rica em fosfatos, aumenta o nível do fósforo.
A colheita para doseamento de fósforo deve ser feita de manhã, dado o ritmo circadiano que se verifica.



A fosfatémia resulta da absorpção intestinal, libertação do espaço intracelular e perda óssea. No indivíduo saudável estes processos são relativamente constantes e facilmente regulados pela excreção ou reabsorpção renal dos fosfatos. Alterações destes processos alteram a concentração sérica do fosfato sendo a perda da função reguladora renal o factor principal deste processo.


Outro factor importante na regulação do fósforo sérico é a PTH, bem como a acção da vitamina D, calcitonina, GH e estado ácido-básico.
A paratormona aumentando a excreção renal do fósforo diminui a fosfatémia. A vitamina D aumenta a absorpção intestinal e a reabsorpção renal elevando a fosfatémia, enquanto que a GH por diminuir a excreção renal aumenta a concentração de fósforo sérico.
O fósforo é o anião intracelular predominante sendo que 15-20% do fósforo sérico está na forma inorgânica.

Os valores séricos do fósforo são de diagnóstico limitado, sendo que os resultados devem ser interpretados à luz dos valores séricos de cálcio.
Níveis baixos de fósforo no soro podem resultar de síndrome da desnutrição, má absorpção, hiperparatiroidismo, osteomalácia, alcoolismo agudo, hipocalémia, acidose tubular renal ou tratamento da acidose diabética.
A hipofosfatémia em crianças pode suprimir o crescimento normal.
Hiperfosfatémia pode ser provocada por doenças ósseas, leucemia mielóide, sarcoidose, tumores ósseos, fracturas em processo de consolidação, hipoparatiroidismo, acromegalia, acidose diabética, obstrução intestinal alta ou insuficiência renal. O significado clínico da hipofosfatémia raramente é significativo mas pode alterar o metabolismo ósseo se for uma situação prolongada.

A concentração sérica do fósforo é superior nas crianças comparativamente com os adultos:
  • criança com menos de 1 ano 13.0 mg/dl
  • criança de 1 a 13 anos 3.00 – 7.00 mg/dl
  • mais de 13 anos 2.50 – 4.80 mg/dl



Os níveis de FGF-23 ( fibroblast growth factor 23 ) aumentam nos estadios iniciais da doença renal crónica e ajudam a manter os níveis de fósforo sérico através da redução da reabsorpção tubular do fósforo. Os níveis de FGF-23 relacionam-se positivamente com o fósforo sérico e fósforo ingerido e negativamente com a idade e função renal residual.

A determinação da fosfatémia pode ser influenciada por vários factores, como:
  • antiácidos
  • enemas que contenham fosfato de sódio
  • suplementos de vitamina D em excesso
  • administração de glucose intravenosa
  • laxantes que contenham fosfato de sódio
  • meticilina

O metabolismo do cálcio e fósforo é correlacionado e associado a factores como a vitamina D e PTH.



No organismo humano cerca de 1% do peso é de fósforo ( cerca de 600 g ).
O fósforo participa de reacções bioquímicas envolvidas na produção de energia e sua transferência, tem uma concentração intracelular baixa e localiza-se principalmente nas mitocôndrias.
A deficiência crónica de ingestão de fósforo origina hipofosfatémia primeiramente a que se segue depleção intracelular do fósforo.


A hiperfosfatémia verifica-se por 3 grupos de situações:
  • redução da excreção do fosfato: doença renal crónica, hipoparatiroidismo e pseudo-hipoparatiroidismo, acromegalia, calcinose tumoral e uso de bifosfonados
  • aumento da ingestão de fósforo: rara na ausência de insuficiência renal
  • redistribuição do fósforo intracelular: acidose respiratória, lise tumoral

Hiperfosfatémia grave pode induzir hipocalcémia com tetania e calcificações ectópicas nas articulações, tecidos moles, pulmões, rins e conjuntiva.


A hipofosfatémia pode ocorrer por:
  • aumento da excreção renal: hiperparatiroidismo, insuficiência renal aguda e recuperação da necrose tubular aguda, pós-transplante renal e síndrome de Fanconi, onde há um defeito do complexo de transporte no túbulo proximal originando redução da absorpção de glicose, aminoácidos e bicarbonato e fosfato
  • redução da absorpção intestinal ( desnutrição, desabsorpção e estados de deficiência de vitamina D )
  • redistribuição ( alcalose respiratória, síndrome de sedimentação )
  • alcoolismo
  • diabetes mellitus
  • uso de certos medicamentos
  • sépsis
  • leucemias e linfomas
  • hepatopatias
  • hiperfosfatemia ligada ao cromossoma X
  • raquitismo hipofosfatémico autossómico dominante

Na investigação laboratorial da concentração sérica do fósforo deve-se fazer também o doseamento de cálcio total e iónico, albumina, magnésio e PTH.



Os doentes com insuficiência renal crónica apresentam um risco cardiovascular muito superior ao da população sem doença renal: os doentes renais são muito mais susceptíveis a terem doença cardíaca e dos vasos sanguíneos periféricos. Isto deve-se, além dos factores de risco tradicionais ( diabetes, dislipidemia, tabagismo ) a factores como o metabolismo mineral, nomeadamente hiperfosfatémia, específicos dos insuficientes renais crónicos.
O fósforo existe em grandes quantidades nas proteínas e sendo assim os principais alimentos aportadores de fósforo são carne, leite e derivados e frutas secas.


A hiperfosfatémia cursa muito frequentemente com hipercalcémia o que leva a que o fósforo e o cálcio se combinem e formem depósitos contendo cálcio nas articulações, órgãos e vasos sanguíneos que provocam endurecimento destes tecidos num processo denominado de calcificação e que desencadeia sintomatologia vária conforme o órgão atingido.:
  • calcificação nos olhos: olhos vermelhos e raiados de sangue
  • prurido e lesões da pele verificam-se em situações de hiperfosfatémia e hipercalcémia
  • calcificações articulares originam inchaço e dilatação das articulações causando dor e limitação dos movimentos; os ossos podem ficar mais frágeis e fraturas ocorrem
  • calcificações dos vasos sanguíneos compromete a circulação prejudicando a irrigação dos órgãos
  • calcificações do coração com redução do fluxo sanguíneo e maior risco de enfarte do miocárdio
  • calcificações pulmonares com problemas respiratórios e doenças pulmonares

Há correlação directa entre hiperfosfatémia e mortalidade.


Doentes com aumento do fósforo sérico ou em risco dele subir não devem ingerir alimentos ricos em fósforo, nomeadamente:
  • leite e derivados
  • pizzas
  • panquecas e waffles
  • biscoitos
  • cereais e farelos
  • vísceras ( miolos, fígado, coração, rins, língua, etc.)
  • ervilhas
  • feijão
  • nozes, amendoins, amêndoas
  • chocolate e cacau
  • alimentos feitos com farinha integral ( pão, bolos, bolachas, torradas )
  • refrigerantes à base de cola
  • cerveja
  • sardinhas
  • salsichas, presuntos, linguiças

Medicamentos existem que se ligam ao fósforo no intestino impedindo a sua absorpção e são eliminados pelas fezes. Os quelantes do fósforo só actuam se tomados às refeições e mesmo assim apenas cerca de metade do fósforo ingerido se liga a esses quelantes. A principal causa de morte nos doentes com doença renal crónica são as doenças cardiovasculares como enfarte de miocárdio e AVC e isto devido a que o fosfato elevado se liga ao cálcio circulante, formando fosfato de cálcio que se precipita nos vasos sanguíneos, calcificando os vasos e obstruindo o fluxo sanguíneo.



Procalcitonina vs Neopterina

Procalcitonina vs Neopterina




Febre em pediatria pode ter múltiplas etiologias. Diferenciação entre infecção de origem bacteriana e de outras etiologias é importante dado que o uso da antibioterapia deve ser feito tão cedo quanto possível mas acarreta graves problemas como o surgimento de resistências, toxicidade à droga e aumento de custos.
Marcadores tradicionais, como contagem de leucócitos ou temperatura corporal, são inespecíficos e o exame cultural pode dar resultados tardiamente.
PCR e procalcitonina ( PCT ) têm sido usados no despiste de infecções bacterianas e sépsis. Neopterina também tem sido proposta para o diagnóstico de infecções bacterianas. A PCT é um marcador de fase aguda usado para detectar infecções, principalmente bacterianas, não se alterando as suas concentrações em infecções não bacterianas.
Actualmente, tem-se considerado que o teste rápido de PCT é superior à neopterina e contagem leucocitária no despiste de infecções bacterianas, especialmente em situações de emergência, quando é crucial tomar uma decisão terapêutica.


O diagnóstico de infecção bacteriana pode ser difícil só pela clínica e contagem de leucócitos, e os exames bacteriológicos podem positivar tardiamente, interpretação da colonização local pode ser ambígua e marcadores tradicionais podem ser inespecíficos. Parâmetros como PCR e PCT têm sido considerados nos doentes com sintomatologia infecciosa sistémica.


A procalcitonina é um peptídeo de 116 aminoácidos com uma sequência idêntica à pro-hormona calcitonina, sintetizada nas células C da tiróide, cuja concentração sérica no indivíduo saudável é de 0.01 ng/ml, mas que sobe para valores da ordem dos 20-200 ng/ml em situações de infecção bacteriana ou sépsis, sendo o valor correlacionado directamente com a gravidade da infecção.


A procalcitonina é sintetizada fora da tiróide em doentes com infecções bacterianas, como se constacta nos casos em que doentes previamente tiroidectomizados mostram valores altos, e em subida, aquando de infecções bacterianas se fazem. A síntese da PCT em situações de infecções bacterianas parece ser no fígado e monócitos, como resposta às citocinas IL-6 e α-TNF. Outros locais de síntese de PCT são os pulmões e pâncreas, sendo que a origem parece depender das substâncias estimuladoras da produção da procalcitonina.
A PCT aumenta no soro ao fim de 6 horas após o estímulo, atinge o plateau às 12-48 horas e diminui depois se o estímulo parar. A PCR inicia a subida mais tardiamente que a PCT.


Neopterina também é usada com o propósito, entre outros, de ajudar no diagnóstico da infecção bacteriana. Produzido pelos monócitos, macrófagos e células dendríticas activadas pelo γ-interferão e menos frequentemente também pelo α-interferão. É um marcador de activação do sistema imune celular. O aumento da concentração de neopterina relaciona-se com a lesão endotelial e risco para as complicações sépticas. Neopterina aumenta também, e fortemente, nas doenças virais.



Procalcitonina é considerado um útil marcador precoce para discriminar entre infecção bacteriana sistémica e sépsis. Verificou-se que a cinética e perfil da procalcitonina, comparativamente com a PCR, eram diferentes, sendo que a cinética da PCR era mais lenta do que a cinética da PCT, as concentrações de PCR podem não subir ( ou parar de subir ) em situações mais graves e de sépsis. Pelo contrário, PCT sobe paralelamente à gravidade da situação de sépsis, atingindo os níveis mais altos no choque séptico, tendendo a ser mais elevada a concentração de PCT nos doentes que não sobrevivem comparativamente com os que sobrevivem.


As concentrações de neopterina nas infecções bacterianas não se correlacionam com a severidade da infecção, apesar de sempre estarem mais elevadas do que o valor em pessoas sem patologia.
Procalcitonina é um teste rápido capaz de predizer infecções bacterianas e seu prognóstico.

Em pacientes criticamente doentes, infecção severa e inflamação sistémica devida a causas não infecciosas, apresentam-se clinicamente de forma muito semelhante e os marcadores tradicionais de infecção ( temperatura corporal, contagem de leucócitos ) são incapazes de as diferenciar. Nestas situações, o recurso à PCT ou neopterina mostra-se de muita utilidade, sendo capaz de diferenciar a etiologia da patologia, seja ela de infecção bacteriana, inflamatória sistémica, doença não infecciosa ou infecção viral.
Estudos demonstraram idêntica eficácia entre PCT e neopterina no estabelecimento da etiologia infecciosa e inflamatória em enfermos criticamente doentes. Neopterina mostrou-se superior em especificidade ( aumento dos verdadeiros positivos ) do que a PCT sugerindo que a neopterina se relaciona com a actividade da resposta inflamatória.

A procalcitonina, em doentes que sofreram lesão cerebral traumática, apresenta-se normal às 3 horas após o trauma mas às 24 horas observa-se um grande aumento da concentração sérica de PCT ( compara com a subida às 6 horas no caso das infecções bacterianas ). Também outros traumatismos, como abdominais ou das extremidades, se acompanham de subida da concentração da PCT, sendo que existem associações positivas entre a severidade da lesão e a concentração de PCT pos-traumática, associação esta não verificada com os traumatismos craneanos.
A neopterina apresenta apenas alterações marginais da sua concentração nos casos de traumatismo craneano, sendo apenas significativo às 108 horas ( compara com a subida da PCT verificada às 24 horas ).

Estudos indicam que a PCT não é capaz de fazer, com acuidade, a distinção entre infecções virais e bacterianas em doentes febris, não graves.







PCR, em doentes com síndrome de resposta infecciosa sistémica ( SIRS ) revelou-se mais específico e sensível como marcador de sépsis do que a PCT. Outros estudos realizados simultaneamente noutros centros revelaram conclusão contrária, demonstrando que PCT é superior comparativamente a PCR, IL-6 ou níveis de lactato.


A concentração sérica da procalcitonina pode subir, para além das infecções bacterianas, em infecções parasitárias e fúngicas.

As principais limitações ao uso da procalcitonina enquanto marcador de sépsis neonatal são:
  • concentração pode aumentar em situações de diabetes gestacional
  • asfixia fetal
  • hipocalcémia
  • síndrome de aspiração de mecónio
  • doença hemolítica
  • doença da membrana hialina
  • hipoglicemia
  • ressuscitação pós-parto
  • hemorragia intracraneana
  • pré-eclâmpsia materna
  • amnionite clínica
  • hipertensão
  • administração de tensioactivo intratraqueal
  • ruptura prolongada de membranas
  • colonização materna por Streptococos grupo B



Glucofurina C vs Glucoproteína C

Glucofurina C vs Glicoproteína C

                                 Glucofurina C                               Glucoproteína C


Glucofurina C é uma glicoproteína, tal como são as glicoproteínas, a espectrina, glicocalix, actina e fibronectina.


Glicofurína C


Glicoproteína C

O extremo externo da glucofurina é portador da antigéneo do grupo MNS.


Glicoproteína C


Glucofurina C

O vírus da gripe fixa-se ao ácido siálico, presente em todas as glicofurinas ( A, B, C, D e E ) e produz aglutinação, permanecendo no exterior do eritrócito.


Glucofurina C


Glicoproteína C

Glucofurina C tem a capacidade de estabilizar a membrana eritrocitária, formando envoltura hidrofílica ao redor do glóbulo vermelho, impedindo a adesão a outras células ou às paredes vasculares.


Glucofurina C


O parasita da malária pode ligar-se à glucofurina A ou C e infectar os eritrócitos.

quarta-feira, abril 01, 2015

Neopterina

Neopterina


Neopterinas são produzidas por monócitos, macrófagos e células dentríticas activados após estimulação pelo γ-interferão produzido pelos linfócitos T
Os níveis séricos da neopterina têm uma capacidade de previsão de mortalidade relacionada com HIV mais eficiente do que as manifestações clínicas. Níveis de neopterina elevados foram associados com hepatite pelos vírus da hepatite A, B e C. Níveis séricos de neopterina foram verificados como capazes de prever a resposta ao tratamento da infecção crónica do HCV com interferão peguilado combinado com ribavirina.


O baixo peso molecular da neopterina permite-lhe a passagem rápida na área intravasal onde é libertada na urina após filtração glomerular. A semi-vida no corpo humano é apenas afectada pela excreção renal. Pode ser considerada como um marcador geral da actividade imunológica.




Medição de concentrações de neopterina nos fluídos corporais como soro sanguíneo, LCR ou urina dá informações sobre activação da imunidade celular sob o controlo das Th1. Alta produção de neopterina está associada com aumento da produção de radicais livres de oxigénio. O aumento da neopterina encontra-se nas seguintes doenças, entre outras:
  • infecções virais incluindo SIDA, hepatite B e C
  • infecções bacterianas incluindo tuberculose e doença de Lyme ( Borrelia )
  • infestações por parasitas como o plasmodium
  • doenças autoimunes como artrite reumatóide e lupus
  • tumores malignos
  • rejeição de allograft
  • leucodistrofia denominada sindrome Aicardi-Goutieres
  • depressão
  • politraumatizados
  • follow-up de infecções crónicas e monitorização de terapêutica imunoestimulante
A concentração de neopterina em asmáticos, alérgicos ou não alérgicos, apresenta-se diminuída.


Eliminação de dadores de sangue com níveis elevados de neopterina reduz o risco de transmissão de infecções por patogéneos virais conhecidos ou desconhecidos.
Neopterina é um marcador inespecífico de resposta imune mediada pelas Th1 activadas.

A neopterina é produzida a partir da GTP via guanosina trifosfato ciclohidrolase 1 ( GTPCH 1 ) pelos monócitos activados, macrófagos activados, células dendríticas activadas e células endoteliais activadas e, num grau menor, nas células do epitélio renal, fibroblastos e músculo liso vascular após estimulação principalmente pelo γ-interferão e, em menor grau, pelo α- interferão e β-interferão, sendo a sua libertação aumentada pelo α-TNF.


A expressão do mRNA da GTPCH 1 é sinergistica e independentemente induzida pelo γ-interferão através da via JAK/STAT de regulação de transcripção nuclear e através da α-TNF pela via do NF-kB.


Durante as infecções virais agudas, níveis aumentados de neopterina têm sido observados e correlacionam-se bem com a actividade da doença. A determinação da neopterina em dadores de sangue é um excelente meio para reduzir o risco de infecções através das transfusões sanguíneas.


Níveis elevados de neopterina nos fluídos corporais são encontrados no final do período de incubação, antes do início dos sintomas clínicos. Os mais elevados níveis de neopterina ocorrem imediatamente antes dos anticorpos específicos contra os vírus se tornarem detectáveis, o que se verifica 2-4 semanas após o início do aumento da produção de neopterina.





Imunização com vírus vivos, por exemplo varicela, papeira e rubéola e vacinações com vírus, resulta num aumento de neopterina independente da presença de qualquer sintoma. Neopterina deve ser investigado como marcador para avaliar a eficácia protectora da imunidade celular por vacinas estimuladoras contra micobactérias, parasitas ou doenças virais.
Neopterina em infecções virais revelou-se ser capaz de retardar o desenvolvimento de efeitos citopáticos do coxsackie B5 em células Hep-2. O mecanismo proposto é a estimulação da expressão da sintase do óxido nitríco levando a um aumento da produção do óxido nítrico. Outros mecanismos incluem a indução da translocação para o núcleo do NF-kB.


Níveis plasmáticos de neopterina correlacionam-se com a carga viral plasmática do HIV. Níveis de neopterina podem prever a mortalidade relacionada com o HIV. Alterações nos níveis de microglobulina mostram a mais alta sensibilidade na detecção do agravamento ( 43 % ) com a neopterina sendo ligeiramente menos sensível ( 41.9 % ) seguida das imunoglobulinas ( 26.8 – 35.2 % ) e adenosina deaminase sendo a que apresenta mais baixa sensibilidade ( 21.8 % ).





Neopterina é um marcador de certeza particularmente útil para a monitorização do control da replicação do HIV nos países em desenvolvimento onde a medição da carga viral não é facilmente disponível e pode ser uma alternativa mais barata particularmente se forem usadas tiras semiquantitativas para testar em urina.





Neopterina apresenta-se elevada na urina em mais de 96% das situações com os níveis mais elevados encontrados em doentes com hepatite A aguda. Os níveis de neopterina não refletem lesão hepatocelular. Níveis de neopterina correlacionam-se muito bem com ALT em doentes infectados com HCV. Os níveis de neopterina apresentam-se como um útil parâmetro de previsibilidade da resposta ao tratamento, com interferão peguilado combinado com ribavirina, da HCV crónica.
Doentes cirróticos apresentam níveis de neopterina significativamente mais elevados do que os observados nos doentes com hepatite crónica.
As concentrações de neopterina usualmente se correlacionam com a extensão e actividade da doença e também é útil na monitorização da terapêutica. Concentrações elevadas de neopterina estão entre os melhores marcadores capazes de prever complicações em doentes com SIDA, doença cardiovascular e vários tipos de cancro.


Neopterina tem sido investigada com o intuito de servir como marcador capaz de distinguir infecções do tracto respiratório inferior bacterianas de virais. Os investigadores encontraram que os níveis séricos de neopterina estão elevados ( > 10 nmol/l ) em 96% de doentes com infecções virais. A concentração de neopterina sérica média era de cerca do dobro nas infecções virais comparativamente com as infecções bacterianas e cerca de 5 vezes as concentrações de controlos normais. A especificidade da neopterina na identificação correcta de infecção do tracto respiratório inferior por virus é de cerca de 69.5% para um cut-off de 15 nmol/l. Doentes a fazerem corticoterapia apresentam um nível de neopterina sérica significativamente mais baixo.


Níveis de neopterina estão elevados no líquor de doentes com meningite asséptica e encefalomielite por herpes simplex ou sarampo. Níveis de neopterina no LCR refletem a produção intratecal pela micróglia uma vez que as pterinas têm uma baixa permeabilidade através da barreira hematoencefálica com uma razão soro/LCR de cerca de 1 para 40. Neopterina do LCR em quantidades normais é derivada do cérebro. Os níveis de neopterina no LCR correlacionam-se bem com a contagem de monócitos no LCR. Em doentes com HIV há uma relação estreita entre a severidade da demência relacionada com SIDA e os níveis da neopterina no LCR..





Nas infecções bacterianas os doentes com sintomatologia de pelo menos 5 dias têm concentrações de neopterina significativamente mais altas do que os doentes em fase mais aguda. Doentes em unidades de cuidados intensivos com sépsis e choque séptico, a razão neopterina / creatinina é significativamente mais alta comparativamente com doentes com outras formas de inflamações sistémicas e níveis de neopterina séricos são mais altos nos não sobreviventes comparativamente com os sobreviventes de sépsis e scores de falência multiorgânica correlacionam-se com os níveis de neopterina.
Níveis de neopterina correlacionam-se negativamente com função renal reduzida refletindo falência renal causando uma redução da excreção da neopterina.


Doentes com infecção a Mycobacterium tuberculosis, apresentam em 83% dos casos níveis acima do limite superior de referência. A correlação com a extensão da tuberculose pulmonar verifica-se com os níveis de neopterina séricos bem como do lavado bronquioalveolar ou da urina. A elevação da concentração de neopterina em doentes com tuberculose é mais pronunciada na urina do que no soro ou lavado brônquico.
Doentes com tuberculose pulmonar apresentam níveis urinários de neopterina mais elevados do que doentes com cancro ou pneumonia, sendo a concentração mais do dobro da reportada para os adultos. A concentração de neopterina pode distinguir tuberculose activa da sua forma latente.





Em doentes com malária por P. falciparum ou P.vivax os níveis urinários de neopterina apresentam-se elevados, mesmo naqueles com baixo grau de parasitemia, observando-se valores de 664-5189 μmol neopterina / mol creatinina.
Produção da neopterina na malária por P.falciparum parece ser um efeito directo dos antigenes do plasmódio nos monócitos/macrófagos. Tratamento com cloroquina é seguido de uma diminuição dos níveis de neopterina urinários.





Podemos dizer que a neopterina é um marcador inespecífico da imunidade mediada por células envolvendo a libertação do γ-interferão. Neopterina pode ser um muito útil marcador para mais precisa estimativa da extensão da doença e assim do seu prognóstico.


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Quando os linfócitos T reconhecem estruturas estranhas ou próprias modificadas, eles começam a produzir diferentes neopterinas. Acredita-se que a concentração de neopterina reflete o efeito combinado das influências reguladoras positivas e negativas sobre a população dos monócitos/macrófagos activados pelo γ-interferão, substância esta principalmente formada pelos linfócitos T activados e é o desencadeante para a formação da neopterina. Esta é a razão pela qual o grau de activação dos linfócitos T, especialmente o Th1, os quais são responsáveis pela produção de γ-interferão e IL-2, é de grande importância na produção de neopterina.

A neopterina é bioquímicamente inerte e a sua semivida no organismo humano depende unicamente da excreção renal.



Determinação da neopterina pode ser considerada como marcador indirecto para a quantidade do stress oxidativo induzido imunologicamente. In vitro, derivados de neopterina induzem expressão de NF-kB. Apoptose é induzida ou intensificada por derivados da neopterina e por exemplo a formação da eritropoietina é inibida. Neopterina e 7,8-dehidroneopterina hiperregulam a expressão do proto-oncogéneo c-fos e dessa maneira esta substância pode estar envolvida na transformação maligna das células.

Alterações das concentrações séricas da neopterina são refletidas pelos níveis urinários enquanto a função renal não estiver alterada. De facto, há uma sensibilidade igual das medições de neopterina no soro e na urina. As amostras devem ser protejidas da luz solar dado que a neopterina apresenta alguma sensibilidade à radiação da luz solar directa.
A concentração da neopterina no soro ou plasma é estável 3 dias à temperatura ambiente. Repetidos ciclos congelação-descongelação devem ser evitados pois pode fazer decrescer a concentração de neopterina.

Existe uma variação diurna da razão neopterina/creatinina: na primeira urina da manhã a razão é maior ( cerca de 20% superior ) comparativamente com o resto do dia.
Não há diferenças significativas dos valores das concentrações no soro e no plasma. A concentração média de neopterina é de 5.2 ± 2.5 mmol/ l . Valores normais e limites superiores do intervalo de referência ( percentil 95 ) dependem da idade. A concentração de neopterina no LCR é algo inferior comparativamente às concentrações encontradas no soro ou no plasma.



Conexão temporal entre o desenvolvimento dos sintomas da malária e as concentrações de neopterina séricas foi demonstrada com o P.falciparum tendo-se observado que a concentração de neopterina sobe ainda antes da subida da temperatura.
Em doentes com tuberculose pulmonar, a concentração de neopterina corresponde à extensão e actividade da doença. Durante a terapêutica os valores de neopterina mostram uma pronta resposta ainda mais rápida que outros marcadores como VS ou raio X. O agravamento da doença também é indicado mais precocemente pela subida das concentrações de neopterina do que por outros marcadores.

A concentração de neopterina é capaz de fazer o diagnóstico diferencial entre infecções bacterianas ( valores menores ) e virais ( valores superiores ).
Complicações sépticas podem ser previstas em doentes politraumatizados ou submetidos a cirurgia pelas concentrações da neopterina.



Nas DII, sejam elas doença de Crohn, colite ulcerosa ou doença celíaca, os níveis de neopterina estão fortemente correlacionados com a actividade da doença. Desta forma scores foram desenvolvidos baseados apenas na concentração de neopterina, hematócrito e frequência de fezes líquidas, tendo-se verificado que este simples score atinge semelhantes resultados comparativamente com o CDAI.
Quantificação da neopterina nas DII é útil na monitorização terapêutica das DII.

Também foi verificada correlação entre a concentração de neopterina e a extensão da lesão cardíaca nas situações de cardiomiopatia dilatada. Indivíduos saudáveis com risco aumentado de arteriosclerose apresentam-se com níveis de neopterina estatisticamente mais elevados do que pessoas com baixo risco de arteriosclerose, mas as alterações da concentração de neopterina usualmente permanecem dentro dos limites do intervalo de referência para os indivíduos saudáveis. Pelo contrário, doentes após enfarte de miocárdio temporariamente aumentam as concentrações de neopterina.



Certas doenças malignas estão associadas a níveis mais altos de neopterina. No entanto, dado que a neopterina é libertada por células do sistema imunológico mas não por células tumorais, neopterina não é um marcador tumoral em sentido comum: activação das células T, provavelmente induzida por células malignas, leva à formação de citoquinas e à activação de monócitos/macrófagos para a produção de neopterina. A maioria dos doentes com neoplasias hematológicas mostra concentrações aumentadas de neopterina enquanto que em doentes com cancro da mama os níveis de neopterina estão geralmente normais ou muito pouco aumentados.
Valor preditivo significativo para o prognóstico foi encontrado com os valores da concentração de neopterina antes do início da terapêutica, nomeadamente em neoplasias ginecológicas e hematológicas, em doentes com carcinoma dos brônquios, cancro da próstata, carcinoma hepatocelular e cancro gastrointestinal. Correlação verifica-se durante o tratamento nas situações de curso sem complicações, mas pelo contrário nas situações de remoção incompleta do tumor ou recorrência do processo maligno verifica-se manutenção de concentrações altas ou em subida de neopterina. A concentração de neopterina pode ser usada também para o diagnóstico como indicador adicional na diferenciação entre doença benigna e maligna..



As mesmas citoquinas responsáveis de forma importante na produção da neopterina parece serem essenciais no desenvolvimento da anemia e perda de peso.

Transfusão sanguínea ou de produtos sanguíneos sempre apresenta um certo risco de transmissão de agentes infecciosos ou provavelmente também processos malignos. Até hoje apenas alguns poucos testes específicos para anticorpos contra os agentes mais perigosos, nomeadamente HIV e vírus das hepatites, são executados com regularidade. Devido a razões logísticas é apenas possível introduzir um número limitado de tais testes específicos no screening de rotina das doações de sangue. Uma vez que há vários patogéneos que não podem ser despistados por esta forma, exame anamnésico deve pelo menos parcialmente preencher esta lacuna. Assim, o chamado “teste inespecífico” de medição da concentração de neopterina pode ser útil para detectar várias patologias que representam um certo risco para os doentes transfundidos. Infecções com vírus, incluindo os retrovirus, bactérias que vivem intracelularmente mas também processos auto-imunes e certas doenças malignas levam a activação do sistema imune celular e consequentemente à subida da neopterina em indivíduos mesmo que assintomáticos.

Concentrações de neopterina estão aumentadas já nas fases mais iniciais das infecções, mesmo antes dos anticorpos específicos serem produzidos, sendo assim capaz de estreitar o chamado período de janela.