domingo, fevereiro 28, 2016

Screening de cancro colorrectal efectuado por teste imunoquímico das fezes

Screening de cancro colorrectal efectuado por teste imunoquímico das fezes


Verificou-se a eficácia no screening do cancro colorrectal, em doentes com risco, com o uso de testes imunoquímico das fezes.


Teste imunoquímico de fezes, apresentou uma sensibilidade de 79% em teste único. Vantagem grande comparativamente com o teste do gaiaco é a não necessidade de efectuar dietas especiais nem restrições medicamentosas.


O teste imunológico das fezes apresentou uma mais alta capacidade na detecção de adenomas colónicos e cancros colorrectais quando em comparação com os testes tradicionais de pesquiza de sangue oculto.



Alta sensibilidade, para o despiste do carcinoma colorrectal, foi comprovada para o teste imunológico das fezes e o controlo anual é aceitável e eficaz na triagem de carcinoma colorrectal para a população em geral.



sábado, fevereiro 20, 2016

Proteína G

Proteína G

Proteína G

As proteínas G são proteínas que intervêem de forma importante na função da transmissão do sinal nas células eucariotas.
As proteínas G caracterizam-se por interagir com GTP, provocando-lhe a hidrólise e originando GDP. O “G” do nome proteína G advém da letra G do GTP.



A função da proteína G é a transdução do sinal nas células, funcionando como um interruptor. Desta forma um elemento externo tem a possibilidade de acesso aos receptores celulares que se associam e estimula-os no sentido de desencadearem reacções pela célula interveniente, como acontece nas situações, entre outras, em que um ligando possa aceder a um receptor celular que se associa a uma proteína G, e isto desencadeia uma série de acções enzimáticas na célula.

Proteína G

Os receptores da proteína G têm uma estrutura em forma de serpentina. Receptores de proteína G englobam muitas proteínas dado que são receptores transmembrana com a função de detectar sinais extracelulares e transmitidos ao interior celular desencadeando as correspondentes respostas. Estes receptores reconhecem múltiplos ligandos como hormonas, neurotransmissores e outras proteínas e peptídeos.
Quando acontecem disfunções nas proteínas G, estas disfunções podem causar doenças sendo este o facto pelo qual a quimioterapia actua nas proteínas G.

Proteína G

A proteína G é formada por 3 subunidades: α, β e γ. A subunidade α ( Gα ) tem um lugar de ligação ao GTP ou GDP. As subunidades β e γ permanecem sempre unidas. A localização da proteína G é na superfície interna da membrana celular ligada ao receptor acoplado à proteína G.




A forma de actuação do receptor da proteína G é a seguinte:


  • um ligante activa o receptor acoplado à proteína G induzindo uma mudança conformacional no receptor possibilitando o receptor a agir como factor de troca do nucleotídeo guanina, colocando o GTP no local do GDP situado na subunidade α da proteína G. Isto causa a dissociação da subunidade α do dímero βγ e do receptor. Ambas as subunidades Gα e Gβγ podem activar cascatas de sinalização e proteínas efectoras. Finalmente a GTP ligada é hidrolisada pela subunidade Gα ( que actua como cinase ) formando-se de novo GDP e permitindo que a subunidade Gα recombine com o dímero Gβγ e iniciando-se o ciclo novamente.


https://www.youtube.com/watch?v=pBvCmRk5I34


Receptor acoplado à proteína G que utiliza AMPc como segundo mensageiro

Invasão metastática da medula óssea

Invasão metastática da medula óssea


Medula óssea é um dos órgãos mais frequentemente envolvidos por metástases tumorais que se disseminam pela via sanguínea, sendo que nos adultos os tumores da próstata, mama e pulmão são os mais frequentemente envolvidos neste processo de metastização. Retinoblastoma, neuroblastoma, sarcoma de Ewing, rabdomiossarcoma e tumores neuroectodérmicos primitivos são os tumores que nas crianças mais vezes metastizam para a medula óssea.


Com excepção das metástases tumorais de carcinomas de células escamosas que não pulmonares, o atingimento da medula óssea é rara e o mesmo se verifica nos casos dos tumores de tecidos moles.



Podemos suspeitar de invasão medular por metástases quando:
  • dor óssea surge
  • casos de fracturas patológicas, lesões líticas ou escleroses reveladas por meios radiológicos
  • “hot spots” inexplicáveis revelados em PET ou scan ósseo
  • imagem anormal na RNM
  • hipercalcémia ou fosfatase alcalina aumentada
  • alterações hematológicas inexplicáveis
Metástases na medula óssea

Nas situações de invasão medular por metástases, a anemia leucoeritroblástica é a alteração do foro hematológico mais frequente mas não é uma alteração específica desta situação metastática e encontra-se em cerca de 50% dos casos. O estudo do mielograma dá um resultado para invasão metastática em 28% das situações enquanto que a biópsia óssea positiva em 35-45% dos casos.

Célula tumoral invasora da medula óssea

As principais dificuldades encontradas para fazer o diagnóstico de metástases tumorais invasoras da medula óssea são:
  • diferenciar células metastáticas de células tumorais hematopoiéticas, como sucede nos casos de envolvimento de linfoma não hodgkiniano de alto grau ou nas situações de LMA com fibrose
  • determinar a localização do tumor primitivo quando este é desconhecido
  • como parte do estadiamento tumoral fazer a determinação de pequenos focos de tumor metastático
  • fazer a identificação de células malignas metastáticas em depósitos que sejam fortemente escleróticos

No esfregaço de sangue periférico, nas situações de metástases que invadem a medula óssea, observa-se anemia normocrómica normocítica, sendo outras alterações citológicas menos comuns, observando-se em 33-50% dos casos eritroblastos e precursores neutrofílicos na via sanguínea, sendo esta situação designada de anemia leucoeritroblástica quando se acompanha de anemia.

Anemia leucoeritroblástica

A presença de anemia leucoeritroblástica correlaciona-se melhor com o grau de fibrose medular reactiva do que com a extensão da infiltração metastática maligna sendo mais associada a metástases de carcinomas da próstata, mama, estômago e pulmão.

Células de metástase na medula óssea
mostrando coalescência

Células malignas em número significativo, observadas no sangue periférico, são raras nas crianças e mais ainda nos adultos. Anemia das doenças crónicas, anemia ferropénica, trombocitopenia, trombocitose, neutrofilia, eosinofilia, anemia hemolítica microangiopática ou formação de rouleaux são alterações que podem surgir mas que são devidas à doença subjacente ( cancro primário ) e não às metástases em si mesmas.

No mielograma, quando a mielofibrose reaccional secundária à infiltração medular se apresenta, podemos observar um “dry tap” ou uma pequena quantidade de medula óssea pode ser obtida, com células hematopoiéticas e células tumorais ou ambas, sendo aspirada com dificuldade.

Quando há uma renovação óssea acelerada, o aspirado de medula óssea pode conter, para além de células tumorais, também osteoblastos e osteoclastos. Por vezes a amostra é constituída total ou parcialmente por células necrosadas e isto deve fazer suspeitar de estarmos em presença de uma infiltração maligna.

Agregado de osteoblastos mimetizando
células neoplásicas

Uma amostra satisfatória para mielograma pode ser constituída por um grande número de células tumorais misturadas com células hematopoiéticas normais ou as células tumorais podem ser escassas e de difícil observação, sendo importante a observação dos bordos e cauda da lâmina de mielograma para encontrar estas células tumorais, mostrando-se importante a observação de várias lâminas de mielograma.

Células de metástases com
vacúolos coalescentes

A detecção de células neoplásicas, quando se apresentam escassas, no mielograma é facilitada por técnicas que usam anticorpos monoclonais apropriados, como os que reagem com citoqueratina, antigéneo carcinoembrionário e antigéneo da membrana epitelial ( EMA ), permitindo a identificação de células neoplásicas em número muito reduzido em caso de positividade daquelas reacções.

Células tumorais com
pigmento citoplasmático

Células malignas, no mielograma, apresentam-se com morfologia característica. Assim, estas células malignas que invadem a medula óssea são observadas no estudo do mielograma como sendo células consideravelmente maiores do que as outras células hematopoiéticas, à excepção dos megacariócitos. Na infância, nos tumores de células pequenas, as células malignas podem ser de dimensões similares às dos blastos. Células malignas são frequentemente coesivas entre si, agrupando-se em agregados celulares, com ou sem células malignas dispersas e isoladas. Raras vezes, apenas são observadas células malignas isoladas, não formando aqueles agregados, mas a regra é serem vizualizados agregados celulares de células malignas metastizadas.


Células metastizadas

Células neoplásicas são habitualmente pleomórficas tanto em tamanho como em forma e características do seu núcleo. Os contornos celulares podem apresentar uma delimitação mal definida ou as células podem mesmo apresentar uma forma “smudge”, sendo que algumas células malignas se apresentam multinucleadas. Os núcleos das células malignas metastizadas são hipercromáticos e nucléolos podem ser observados bem como, frequentemente, são vizualizadas figuras de mitose. Células de carcinomas, por regra, apresentam citoplasma abundante com basofilia variável e vacuolizações. Estas células são, por vezes, fagocíticas, como acontece com os tumores da mama, pulmão, sarcoma de Ewing, hemangioendotelioma, rabdomiossarcoma e meduloblastoma.

Agregados celulares de células metastizadas

Célula metastizada com aspecto “smudge”

A observação de células tumorais de metástases na medula óssea não permite, geralmente, dizer onde se localiza o tumor primário, pelo que é útil a realização de biópsia óssea para determinar essa localização. Excepções existem, como é o caso do melanoma, em que a observação de células metastizadas permite fazer o diagnóstico do tumor primário pois observa-se nestas células o pigmento que as reconhece, embora nos casos de melanoma amelanótico esta possibilidade não se verifique.

Células de melanoma observando-se
o pigmento melânico

Células de melanoma observando-se
o pigmento melânico

As células metastáticas invasoras da medula óssea devem ser distinguidas de células de linfoma, blastos de leucemia aguda e células neoplásicas da histiocitose das células de Langerhans ou mastocitose sistémica.

Histiócito

As células malignas metastáticas também devem ser diferenciadas de células endoteliais, fibroblastos do estroma, osteoblastos, osteoclastos, megacariócitos atípicos ou eritroblastos esmagados.

Agregado celular por coalescência das células metastizadas

Na medula óssea invadida por células metastáticas, alterações reactivas são observadas, nas quais se podem incluir número aumentado de plasmócitos e mastócitos, hiperplasia granulocítica e megacariocítica, macrófagos em número aumentado e reservas de ferro aumentadas.

Agregado celular por coalescência de células neoplásicas metastizadas
Observe-se a leucoeritroblastose


Técnicas de imunocitoquímica e imunofenotipagem por citometria de fluxo são importantes auxiliadoras na despistagem de células metastáticas da medula óssea. Também a citogenética e a análise de genética molecular podem dar importante contributo. Outro estudo de importancia fundamental na despistagem de metástases invasoras de medula óssea é a biópsia óssea.

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Complexo major de histocompatibilidade

Complexo major de histocompatibilidade

Complexo major de histocompatibilidade não é sinónimo de HLA ainda que haja muitos pontos comuns entre ambos os sistemas, como se pode ver na figura:


sexta-feira, janeiro 29, 2016

Terá o café ( cafeína ) a capacidade de impedir recidivas cancerígenas ?

Terá o café ( cafeína ) a capacidade de impedir recidivas cancerígenas ?


 

É conhecida a relação entre hiperinsulinemia e as recidivas do cancro colorrectal. Recidivas de cancro colorrectal são mais frequentes em doentes sedentários, que não praticam exercício físico, doentes que tenham uma carga aumentada de glicemia e naqueles que ingerem muitos carbohidratos.


Neste sentido foi colocada a hipótese de que doentes com cancro colorrectal que não bebem café apresentam um risco maior de recidiva do cancro, comparativamente com os bebedores de café.


Estudos preliminares revelaram que doentes com cancro colorrectal que bebem mais de 4 cafés por dia, apresentam uma redução significativa tanto na taxa de mortalidade como de recidiva. Esta redução não se verifica em quem bebe café descafeinado ou chá.


sábado, janeiro 16, 2016

Proteína C reactiva - PCR

Proteína C Reactiva


Proteína C reactiva, ou PCR, é uma proteína  de síntese hepática e a sua concentração sérica sobe em resposta a situações inflamatórias, bem como infecção, enfarte de miocárdio, no pós-operatório e em situações de traumatismos. A PCR é uma proteína de fase aguda positiva. A PCR não é um marcador específico de um processo inflamatório de um órgão ou tecido e a elevação da concentração sérica daquela proteína pode indicar inflamação não apontando, no entanto, para o local onde a inflamação se estará a processar.




Expressada na superfície das células mortas ou moribundas, e algumas bactérias, está a fosfocolina à qual se liga a PCR que activa o sistema complemento C1q, sendo que também activa células com a capacidade de fagocitose, agindo desta forma a PCR como uma opsonina.



A PCR, um elemento da família das pentraxinas, é sintetizada no fígado e adipócitos brancos sendo libertada em resposta a factores libertadores.



A elevação sérica da concentração da PCR é devida à subida da concentração plasmática da IL-6 sintetizada nos macrófagos, células endoteliais e linfócitos T assim como adipócitos da gordura branca.
O doseamento da concentração sérica da PCR é realizado em casos de exacerbação de doença inflamatória, avaliação de efeitos da terapêutica anti-inflamatória bem como noutras situações.



O valor da concentração sérica da PCR pode ser normal em situações inflamatórias, como se verifica em casos de artrite reumatóide ou LED.





O doseamento da PCR de alta sensibilidade pode ser utilizado para pesquizar o risco de cardiopatia. A interpretação das concentrações séricas da PCR de alta sensibilidade, segundo a American Heart Association, deve ser feita do seguinte modo:
  • Baixo risco ….................... PCR-hs < 1.0 mg/l
  • Médio risco …................... 1.0 mg/l < PCR-hs < 3.0 mg/l
  • Alto risco …....................... PCR > 3.0 mg/l


Embora, como se disse acima, uma concentração normal sérica de PCR não exclua estarmos face a um processo inflamatório, valores altos de PCR sérica sempre indica estarmos em presença de um doente com inflamação que pode ser secundária a diversas patologias como:
  • doença auto-imune
  • cancro
  • cardiopatia
  • lupus
  • DII
  • tuberculose
  • artrite reumatóide
  • febre reumática
  • pneumonia
  • segunda metade da gravidez
  • uso de anticoncepcionais orais
  • outros



O doseamento da hs-PCR utiliza técnicas especiais que permitem a quantificação de concentrações muito baixas, tendo como principal utilidade o estabelecimento do risco de patologia cardiovascular.
A proteína cuja concentração é determinada pelo doseamento da PCR ou da hs-PCR é precisamente a mesma, diferindo unicamente nas concentrações que as técnicas analíticas empregues são capazes de dosear e com diferentes objectivos, sendo que a técnica clássica é usada para casos inflamatórios enquanto que a técnica de alta sensibilidade, que tem a capacidade de dosear concentrações muito baixas, é usada para avaliar do risco cardiovascular da pessoa.




Uma inflamação crónica e persistente, de baixo grau, tem um papel no originar da aterosclerose, que se associa a doença cardiovascular e enfarte do miocárdio de forma frequente. A hs-PCR tem a capacidade de identificar o risco cardiovascular em indivíduos aparentemente saudáveis.



No tempo actual, a ideia que maior consenso apresenta, é que a hs-PCR tem uma fundamental importância na avaliação do risco cardiovascular antes das patologias cardiovasculares se desenvolverem, sejam elas enfarte do miocárdio, AVC, morte súbita cardíaca ou doença vascular periférica.








O fornecimento dos valores de referência por parte do laboratório é crítico visto que estes valores de referência de hs-PCR dependem de muitos factores como idade, sexo, raça ou técnica utilizada e assim os resultados da concentração sérica da hs-PCR podem ter interpretação diferente.




Estatinas e anti-inflamatórios não esteróides ( AINEs ) têm a capacidade de baixar a concentração sérica da PCR por combaterem a inflamação subjacente.
O risco cardiovascular que é avaliado pela concentração pelas técnicas de alta sensibilidade para PCR tem de ser determinado numa situação de ausência de inflamação secundária a uma outra patologia.
A hs-PCR é uma técnica dirigida à avaliação do risco cardíaco mas, apesar de ser esta a principal função da técnica de alta sensibilidade da PCR, o valor da concentração da PCR também se apresenta elevada em situações como cancro do cólon, complicações da diabetes ou obesidade.



Tem-se por certo que a PCR joga um importante papel na imunidade inata como sistema de defesa inicial contra infecções. Após o estímulo inicial, a PCR inicia a subida de concentração, atingindo o pico às 48 horas. A PCR tem uma semi-vida de 18 horas e, por esta razão, a forma principal de determinar os níveis de concentração sérica da PCR é feita pela determinação da taxa de produção e assim a gravidade do factor desencadeante.



Dado que a síntese da PCR é efectuada no fígado, a concentração sérica da PCR cai em casos de insuficiência hepática, sendo que esta queda da concentração sérica da PCR não se verifica noutras patologias intercorrentes.
Com a idade, a concentração da PCR sérica sobe de forma ligeira.




Fenómenos inflamatórios existentes nas placas de ateroma relacionam-se com o rompimento dessas placas no enfarte de miocárdio e AVC, e dessa forma a elevação da concentração sérica da PCR pode prever doentes em que o risco cardiovascular é maior.




O gene da PCR encontra-se no cromossoma 1 ( 1q21-1q23 ). A PCR é constituída por 224 amino-ácidos, tendo uma massa de 25106 Da, apresentando uma forma de disco pentamérico anelar. Na verdade, a PCR é constituída por 10 subunidades ( e não as 5 subunidades características das pentraxinas ) que formam 2 discos pentaméricos com uma massa total de 251060 Da. A PCR sobe a sua concentração sérica nas infecções víricas apesar de essa subida ser menor comparativamente com a subida verificada nas infecções bacterianas.

A PCR pode ser sujeita a glicosilação sendo esta variável com a patologia em causa, sendo o açúcar ligado à PCR diferente com diferente patologia.
Em presença de altos níveis de PCR séricos verifica-se alto risco de doença cardiovascular, hipertensão e diabetes.
A PCR pode ter utilidade na detecção de cancro dado que na presença de inflamação crónica alguns órgãos apresentam um risco maior de malignização.



Concentração sérica elevada de hs-PCR indica risco de patologia cardiovascular tripla da média e nas mulheres foi verificado que concentração elevada de hs-PCR sérica indica risco de patologia coronária em maior grau do que hipercolesterolemia.



A cinética da concentração sérica da PCR é mais rápida do que a da VS: concentração sérica da PCR sobe antes de se verificar aumento da VS e a descida da PCR também é anterior à verificada na VS.




Pode haver uma subida da PCR, sem significado clínico, em pessoas muito obesas, idosos ou quem pratica muito exercício físico. O intervalo de referência da PCR está compreendido entre 2,5 mg/l e 5,0 mg/l. Alcoolismo, sedentarismo, insuficiência renal, hipertensão ou tabagismo são outras situações que cursam com concentrações altas de PCR. Também pode subir a concentração da PCR no soro em situações de fadiga crónica, distúrbios de sono, depressão, gengivite e doença peri-odontal bem como pequenas inflamações locais que cursam com PCR da ordem dos 1.0 - 10.0 mg/l.
A concentração sérica da PCR facilmente ultrapassa os 200 mg/l em situações de sépsis.




À medida que o tratamento vai tendo efeito a concentração sérica da PCR vai diminuindo e por essa razão quando passadas 48-72 horas de antibioterapia a concentração da PCR se mantém, não diminuindo, temos de pensar que o antibiótico não está a ter efeito e deverá ser substituído.



No diagnóstico e follow-up de uma inflamação utiliza-se o hemograma com contagem de leucócitos e o doseamento da PCR, sendo que esta tem uma fiabilidade superior visto os valores apresentarem uma subida e descida mais rápida em consonância com o estado da infecção. No entanto, a regra geral, é a utilização das 2 análises em simultâneo.



A concentração da PCR, nas doenças inflamatórias crónicas, é elevada mas, ao contrário das inflamações agudas, como infecções bacterianas em que se verificam valores 20-30 vezes os valores normais, nas infecções crónicas a subida é moderada e ligeira sendo que a concentração da PCR no soro pode ser considerado um parâmetro de actividade da doença.
Importante referir que a actividade do LES não costuma ter boa relação com a concentração da PCR.



A alteração da PCR não é sempre verificada nas situações de neoplasias e nos casos em que se verifica essa elevação é baixa e de difícil distinção da causada por outras situações patológicas. Uma subida inexplicável de PCR pode apontar para recidiva de cancro previamente tratado. Concentrações persistentemente elevadas verificam-se em casos de mieloma múltiplo e linfomas mais agressivos, sugerindo um prognóstico pior e uma menor sobrevivência.




Concentrações de PCR sérica da ordem dos 10-40 mg/l verificam-se em casos de infecções virais enquanto que nas situações de infecções bacterianas as concentrações séricas da PCR são bem mais elevadas sendo da ordem dos 50-200 mg/l, podendo, desta forma, a concentração da PCR ser usada como indicador de necessidade de antibioterapia com uma sensibilidade de 55%.






A VS é um exame que mede de forma indirecta a produção de fibrinogénio


O enfarte do miocárdio acontece, não porque necessariamente se faz a oclusão total da artéria afectada mas sim quando substâncias que resultam das reacções inflamatórias que se processam no interior da placa de ateroma digerem a cápsula protectora provocando a formação de coágulos que se desprendem e são levados pela corrente sanguínea.




O álcool tem efeitos dispares sobre a PCR: verifica-se que pessoas que não ingerem qualquer quantidade de álcool apresentam concentrações de PCR mais elevadas, sendo que estes níveis baixam nos indivíduos que ingerem quantidades moderadas diariamente ( 2-3 copos de vinho ), voltando a subir a concentração de PCR, de forma apreciável, nas pessoas que exageram no consumo de álcool diarimente.






Proteínas de fase aguda são as proteínas de síntese hepática que aumentam ou diminuem a sua concentração pelo menos 25% nos primeiros 7 dias após a lesão tecidual se verificar. As proteínas que apresentam uma subida das suas concentrações séricas são proteínas de fase aguda positivas incluindo a PCR, substância amilóide A sérica, haptoglobina e fibrinogéneo. Proteínas de fase aguda negativas são as proteínas que apresentam uma descida da sua concentração sérica e incluem a albumina, transferrina e TTR ( pré-albumina ).






Várias citoquinas influenciam a produção das proteínas de fase aguda como sendo IL-6, IL-1, IL-11, α-TNF, β-TGF, γ-interferão, factor inibidor da leucemia ( LIF ) ou factor de crescimento epidermal.
O doseamento das proteínas de fase aguda, também chamado de “provas de actividade inflamatória “ tem sido usado com o seguinte objectivo:
  • distinguir entre inflamação e patologia não inflamatória
  • fazer o diagnóstico diferencial entre
  • infecção viral vs infecção bacteriana
  • infecção vs actividade de doença auto-imune
  • infecção vs rejeição de transplante
  • determinar a extensão e actividade da inflamação e fazer o follow-up e resposta terapêutica

Com a introdução de técnicas de alta sensibilidade, também se usam estas proteínas na determinação do risco cardiovascular e no diagnóstico precoce de disfunção renal.




A inflamação está relacionada também com a etapa inicial, importante na patogenia da angina instável e do enfarte do miocárdio. O tampão fibroso protector do rompimento da placa de ateroma é degradado pelas metaloproteinases produzidas pelos macrófagos, monócitos e linfócitos T. O tampão fibroso diminuindo torna a placa mais vulnerável sendo levada à ruptura.




A PCR, que é um marcador inflamatório, também participa activamente no processo aterogénico. A PCR, que se localiza no interior da placa aterosclerótica, joga um papel importante na vulnerabilidade dessa placa e tem também importante acção na reestenose pós-angioplastia. Um gradiente de PCR se verifica na circulação coronária distal e proximal à placa.



A hs-PCR tem uma boa capacidade de prever a diabetes mellitus tipo II, situação patológica que compartilha alguns mecanismos inflamatórios com a aterosclerose.
Evidências apontam para que a hs-PCR tenha a capacidade de ser um marcador no rastreio das crianças em risco de, quando adultas, sofrerem doença coronária.




A hs-PCR tem a capacidade de prever eficazmente a mortalidade pós-enfarte, mesmo nos casos dos doentes terem sido tratados precocemente com revascularização coronária. A hs-PCR tem valor prognóstico, a curto e longo prazo, em situações de angina instável e pós-enfarte sendo controversa a interpretação da informação sobre o prognóstico na fase aguda do enfarte, propondo-se que a determinação da hs-PCR no soro deve ser realizada após o final da reacção inflamatória aguda do enfarte de modo a que os níveis doseados tenham regressado aos valores basais e os representem.