segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Cristais de oxalato de cálcio

Cristais de oxalato de cálcio


O processo de biomineralização é o processo pelo qual organismos vivos formam estruturas complexas inorgânicas, como é o caso da formação dos cálculos renais. Podemos dividir o processo de biomineralização induzida e biologicamente controlada, em que a principal diferença é baseada no grau de especificidade e controlo exercido durante a interacção entre os constituintes orgânicos e minerais no decurso de todo o processo de precipitação.
A maioria das vezes, a urina não forma cristais no tracto urinário, devido a um adequado equilíbrio entre os factores termodinâmicos ( como a supersaturação da solução ) e os factores cinéticos ( como a presença pré-existente de partículas sólidas e sobre o nível de substâncias inibidoras da cristalização ). O desiquilibrio destes factores pode levar à formação de cálculos, como o aumento de tempo para a micção, que pode ser originado por uma ingestão insuficiente de líquidos que também pode aumentar a supersaturação das substâncias na urina.

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http://www.youtube.com/watch?v=ky4rIo8Ro4I

No processo de filtração, que ocorre no rim, o filtrado vai-se tornando mais concentrado, e este aumento de concentração produz uma solução saturada com formação de pequenos cristais. Estes cristais, normalmente, são eliminados pela urina mas, devido a uma falha no tracto urinário ou a uma grande quantidade de cristais formados, a agregação e formação de cálculos pode ocorrer.
Os cristais de oxalato de cálcio, para além de poderem ser formados no organismo humano, também aparecem em várias plantas, como as folhas do chá, espinafre, espargos, tomate, ruibardo, acelga, aracese, e muitas outras. Pessoas, com história de cálculos renais, devem evitar ingerir estas plantas.
O oxalato de cálcio é um composto químico que forma cristais monoclínicos ( isto é, em forma de agulha ).
Cristais de oxalato de cálcio, na urina, são os constituintes mais comuns dos cálculos renais e a formação de cristais de oxalato de cálcio é também um dos efeitos tóxicos do envenenamento por etilenoglicol. Os cristais de oxalato cálcio podem surgir em 3 formas: whewelita ( monohidratados ), weddelita ( dihidratados ) e, a forma mais rara, caoxita ( trihidratados ).

A litíase urinária, ou urolitíase, é uma doença que se deve à formação de cálculos renais. Estes cálculos são estruturas sólidas, resultantes da aglomeração de cristais, que resultam de uma alteração metabólica crónica do organismo, que provoca uma excreção aumentada de substâncias pela urina, como cálcio, ácido úrico, oxalato, fosfato e/ou diminuição de excreção de substâncias inibidoras da cristalização, como sejam o citrato, magnésio, glicosaminoglicanos e nefrocalcina.
A composição química dos cristais determina o tipo de cálculo formado, existindo dessa forma vários tipos de  cálculos,  como  sejam   oxalato  de  cálcio  (  60 %  ),  oxalato  de  cálcio  associado  a  fosfato  de cálcio ( 20 % ), ácido úrico ( 8 % ), struvite ( 8 % ), fosfato de cálcio ( 2 % ), cistina e outros ( 2 % ).
A presença de um cálculo no sistema urinário pode determinar, ou não, sintomatologia, que pode chegar à insuficiência renal crónica.

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http://www.youtube.com/watch?v=aljQsQJHW1c

Dado que a formação dos cristais de oxalato de cálcio se deve a uma disfunção metabólica crónica, uma vez tendo-se formado um cálculo, o doente estará a vida toda em risco de formar um outro cálculo, embora isso só aconteça em cerca de 50% dos casos ou menos. Neste âmbito, é fundamental o doente submeter-se a medidas de prevenção e tratamento médico.
As medidas gerais para a prevenção da formação de cálculos renais englobam:
  1. Aumento da ingestão de líquidos: ingerir 2-3 litros de líquidos diariamente, para impedir que a urina fique concentrada; os líquidos recomendados são água e sumos de laranja, limão ou maçã. Chá preto, café e refrigerantes à base de cola devem ser evitados
  2. Alterações gerais na alimentação
    a) ingerir leite e derivados em quantidades moderadas, mas diária
    b) ingerir  carnes,  preferivelmente  magras,  em  quantidades  moderadas  para  reduzir  a ingestão de proteinas
    c) diminuir a ingestão de proteinas
    d) preferir pão integral e de centeio ao pão branco
    e) ingerir gorduras moderadamente e glicose de forma moderada
    f) leguminosas, como feijão ou lentilhas, não devem ser ingeridas mais de uma vez por dia

Devido ao teor das substâncias inibidoras, o doente deve ingerir regularmente arroz, batatas ( excepto batata doce ), clara de ovo, margarina, óleos vegetais, mel, maionese, bolachas de água e sal, abacaxi, uvas, melancia, pêra e cerejas.

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http://www.youtube.com/watch?v=hnDN7EuBD68

Os doentes, com formação de cálculos de oxalato de cálcio, devem evitar alimentos ricos em oxalato, nomeadamente batata doce, beterraba, espinafres, chocolates, café, chá, refrigerantes à base de cola e frutos secos, sobretudo nozes.
Outros tipos de cálculos, como de ácido úrico, struvite, etc, são prevenidos com o uso de outras medidas de índole alimentar, sendo que a ingestão de líquidos em quantidade de 2 litros, ou mais, diariamente, é uma medida universal à prevenção de qualquer tipo de cálculo renal.

A presença de cristais de oxalato de cálcio, por regra, não apresenta significado clínico. A maior parte das vezes em que se encontram cristais de oxalato de cálcio, e mesmo outros cristais, é resultado de inadequado manuseamento da amostra de urina. Uma das causas mais comuns do aparecimento de cristais, sem significado clínico, é o caso em que as urinas são deixadas demasiado tempo à temperatura ambiente ou refrigeradas e depois levadas ao laboratório. Cristais de oxalato de cálcio são frequentes em urinas ácidas, podendo também ocorrer a pH neutro ou mesmo, mais raramente, alcalino.

Normalmente a urina não tem proteinas, visto que as proteinas não são filtradas pelo rim. Pequenas quantidades de proteinas na urina podem ser causadas por dezenas de situações triviais como febre, exercício físico prévio à recolha da urina, desidratação, stress emocional ou causas mais graves como infecção urinária, lupus, doenças do glomérulo renal e lesão renal pela diabetes

O oxalato de cálcio é formado no intestino grosso, quando fontes de cálcio da dieta se unem com o sal do ácido oxálico ( oxalato ). O oxalato é produzido principalmente no fígado, mas também aparece em muitos alimentos. Quando o oxalato se junta ao cálcio forma um complexo, mais ou menos insolúvel, de oxalato de cálcio que, ao entrar no rim, pode formar cristais na urina. No entanto, mesmo estes cristais, na maioria das pessoas, não são problema, pois não formam cálculos ou, se os formam, são de dimensões muito reduzidas e não provocam sintomatologia por via de regra. Apenas, quando atingem grandes dimensões, a sintomatologia da litíase renal se manifesta.

A ingestão de cálcio é uma medida preventiva da formação de cálculos. Embora o cálcio seja o maior componente da maioria dos cálculos renais, não se deve evitar a sua ingestão. Muitos cálculos renais são de cálcio com oxalato, mas se há bastante cálcio na dieta, o cálcio liga-se no intestino ao oxalato, impedindo que vá para a urina e forme cálculos.
Também a moderação da ingestão de sódio previne a formação de cálculos renais, pois dietas com pouco sódio diminuem a excreção de cálcio e oxalato. As proteinas podem aumentar a excreção do oxalato e cálcio, e proteinas em doses altas na alimentação podem também reduzir os níveis de substâncias inibidoras de formação de cálculos renais.
A litíase renal, nos doentes com DII, tende a ser mais frequente que na população em geral ( 12 - 18 % dos doentes com DII desenvolvem litíase renal ).
Os sumos de melão e melancia, por serem ricos em potássio, auxiliam a excreção do cálcio e assim diminuem o risco de litíase. Os chás e cafés foram associados à diminuição de risco de litíase renal devido à diminuição da concentração urinária que provocam. O chá preto e o mate devem ser ingeridos com moderação dado o seu alto teor de oxalatos.


Mecanismos de formação de cálculos renais

Três fases existem na formação dos cálculos renais:
  1. Supersaturação e cristalização
A supersaturação é um dos factores mais importantes para se ter a cristalização; a supersatu-
ração existe na formação da urina, mas não indica, por si só, a formação de litíase.
Para a formação dos cálculos, outros factores actuam como o tempo de permanência, uso de
medicamentos e o intervalo entre a colheita e o exame.

  1. Agregação, aglomeração e crescimento do cristal
Agregação é o termo que descreve o processo de ligação entre os cristais, formando aglo-
merados; esta deposição é influenciada pela saturação e interacções iónicas.
Os componentes orgânicos também podem aderir ao núcleo e facilitar a agregação dos cris-
tais.

  1. Nucleação
A formação de uma urina, saturada ou supersaturada, propicia a nucleação de cristais que
pode ser homogénea ou heterogénea, sendo que a homogénea ocorre quando o cristal for-
mado serve de meio à deposição de outros cristais semelhantes, e a heterogénea resulta de
deposição de cristais sobre um meio formado de macromoléculas, impurezas ou outro cris-
tal, quimicamente diferente.

Acontecida a nucleação, a deposição de outros cristais é facilitada, não requerendo níveis de saturação tão elevados como no início do processo. O núcleo pode crescer, agregar outros cristais ou matriz orgânica, originando o cálculo ou ser eliminado pela urina.

Os cálculos de oxalato de cálcio monohidratados podem ser subdivididos em papilares e não papilares, sendo os papilares geralmente semi-esféricos, de 2-3 mm de diâmetro, enquanto que os não papilares são esféricos, com vários lóbulos e diâmetro de mais de 1 cm. Os cálculos papilares iniciam a sua formação nas papilas renais nos locais onde a camada de glicosaminoglicanos é reduzida ou destruída. Nas situações em que há pouca eliminação, dos inibidores da cristalização, pela urina, há um risco maior de formação de cálculo renal de oxalato de cálcio. Os detritos orgânicos nos cálculos de oxalato de cálcio monohidratados papilares, actuam como nucleantes dos cristais e podem crescer e formar um núcleo de oxalato de cálcio.
Os cálculos renais de oxalato de cálcio monohidratados não papilares geralmente apresentam um dos nucleantes heterogéneos em sua formação e, sobre este núcleo, o oxalato cresce em colunas onde formará o cálculo.

Outro tipo de cálculo de oxalato de cálcio é o dihidratado, que se confina a cavidades de baixa eficácia urodinâmica. Estes cristais têm morfologia bipiramidal e um crescimento estrutural desordenado, razão pela qual há sobreposição com fosfato de cálcio.
Os cristais de oxalato de cálcio dihidratado, uma vez formados, podem induzir o crescimento de outros cristais, em suas faces e arestas, favorecendo a formação de agregados cristalinos, denominado agregação primária. A matéria orgânica, como resíduos celulares, também pode agir como nucleantes heterogéneos deste tipo de cristais.

http://www.youtube.com/watch?v=p0W350zbwfQ

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