sexta-feira, janeiro 29, 2016

Terá o café ( cafeína ) a capacidade de impedir recidivas cancerígenas ?

Terá o café ( cafeína ) a capacidade de impedir recidivas cancerígenas ?


 

É conhecida a relação entre hiperinsulinemia e as recidivas do cancro colorrectal. Recidivas de cancro colorrectal são mais frequentes em doentes sedentários, que não praticam exercício físico, doentes que tenham uma carga aumentada de glicemia e naqueles que ingerem muitos carbohidratos.


Neste sentido foi colocada a hipótese de que doentes com cancro colorrectal que não bebem café apresentam um risco maior de recidiva do cancro, comparativamente com os bebedores de café.


Estudos preliminares revelaram que doentes com cancro colorrectal que bebem mais de 4 cafés por dia, apresentam uma redução significativa tanto na taxa de mortalidade como de recidiva. Esta redução não se verifica em quem bebe café descafeinado ou chá.


sábado, janeiro 16, 2016

Proteína C reactiva - PCR

Proteína C Reactiva


Proteína C reactiva, ou PCR, é uma proteína  de síntese hepática e a sua concentração sérica sobe em resposta a situações inflamatórias, bem como infecção, enfarte de miocárdio, no pós-operatório e em situações de traumatismos. A PCR é uma proteína de fase aguda positiva. A PCR não é um marcador específico de um processo inflamatório de um órgão ou tecido e a elevação da concentração sérica daquela proteína pode indicar inflamação não apontando, no entanto, para o local onde a inflamação se estará a processar.




Expressada na superfície das células mortas ou moribundas, e algumas bactérias, está a fosfocolina à qual se liga a PCR que activa o sistema complemento C1q, sendo que também activa células com a capacidade de fagocitose, agindo desta forma a PCR como uma opsonina.



A PCR, um elemento da família das pentraxinas, é sintetizada no fígado e adipócitos brancos sendo libertada em resposta a factores libertadores.



A elevação sérica da concentração da PCR é devida à subida da concentração plasmática da IL-6 sintetizada nos macrófagos, células endoteliais e linfócitos T assim como adipócitos da gordura branca.
O doseamento da concentração sérica da PCR é realizado em casos de exacerbação de doença inflamatória, avaliação de efeitos da terapêutica anti-inflamatória bem como noutras situações.



O valor da concentração sérica da PCR pode ser normal em situações inflamatórias, como se verifica em casos de artrite reumatóide ou LED.





O doseamento da PCR de alta sensibilidade pode ser utilizado para pesquizar o risco de cardiopatia. A interpretação das concentrações séricas da PCR de alta sensibilidade, segundo a American Heart Association, deve ser feita do seguinte modo:
  • Baixo risco ….................... PCR-hs < 1.0 mg/l
  • Médio risco …................... 1.0 mg/l < PCR-hs < 3.0 mg/l
  • Alto risco …....................... PCR > 3.0 mg/l


Embora, como se disse acima, uma concentração normal sérica de PCR não exclua estarmos face a um processo inflamatório, valores altos de PCR sérica sempre indica estarmos em presença de um doente com inflamação que pode ser secundária a diversas patologias como:
  • doença auto-imune
  • cancro
  • cardiopatia
  • lupus
  • DII
  • tuberculose
  • artrite reumatóide
  • febre reumática
  • pneumonia
  • segunda metade da gravidez
  • uso de anticoncepcionais orais
  • outros



O doseamento da hs-PCR utiliza técnicas especiais que permitem a quantificação de concentrações muito baixas, tendo como principal utilidade o estabelecimento do risco de patologia cardiovascular.
A proteína cuja concentração é determinada pelo doseamento da PCR ou da hs-PCR é precisamente a mesma, diferindo unicamente nas concentrações que as técnicas analíticas empregues são capazes de dosear e com diferentes objectivos, sendo que a técnica clássica é usada para casos inflamatórios enquanto que a técnica de alta sensibilidade, que tem a capacidade de dosear concentrações muito baixas, é usada para avaliar do risco cardiovascular da pessoa.




Uma inflamação crónica e persistente, de baixo grau, tem um papel no originar da aterosclerose, que se associa a doença cardiovascular e enfarte do miocárdio de forma frequente. A hs-PCR tem a capacidade de identificar o risco cardiovascular em indivíduos aparentemente saudáveis.



No tempo actual, a ideia que maior consenso apresenta, é que a hs-PCR tem uma fundamental importância na avaliação do risco cardiovascular antes das patologias cardiovasculares se desenvolverem, sejam elas enfarte do miocárdio, AVC, morte súbita cardíaca ou doença vascular periférica.








O fornecimento dos valores de referência por parte do laboratório é crítico visto que estes valores de referência de hs-PCR dependem de muitos factores como idade, sexo, raça ou técnica utilizada e assim os resultados da concentração sérica da hs-PCR podem ter interpretação diferente.




Estatinas e anti-inflamatórios não esteróides ( AINEs ) têm a capacidade de baixar a concentração sérica da PCR por combaterem a inflamação subjacente.
O risco cardiovascular que é avaliado pela concentração pelas técnicas de alta sensibilidade para PCR tem de ser determinado numa situação de ausência de inflamação secundária a uma outra patologia.
A hs-PCR é uma técnica dirigida à avaliação do risco cardíaco mas, apesar de ser esta a principal função da técnica de alta sensibilidade da PCR, o valor da concentração da PCR também se apresenta elevada em situações como cancro do cólon, complicações da diabetes ou obesidade.



Tem-se por certo que a PCR joga um importante papel na imunidade inata como sistema de defesa inicial contra infecções. Após o estímulo inicial, a PCR inicia a subida de concentração, atingindo o pico às 48 horas. A PCR tem uma semi-vida de 18 horas e, por esta razão, a forma principal de determinar os níveis de concentração sérica da PCR é feita pela determinação da taxa de produção e assim a gravidade do factor desencadeante.



Dado que a síntese da PCR é efectuada no fígado, a concentração sérica da PCR cai em casos de insuficiência hepática, sendo que esta queda da concentração sérica da PCR não se verifica noutras patologias intercorrentes.
Com a idade, a concentração da PCR sérica sobe de forma ligeira.




Fenómenos inflamatórios existentes nas placas de ateroma relacionam-se com o rompimento dessas placas no enfarte de miocárdio e AVC, e dessa forma a elevação da concentração sérica da PCR pode prever doentes em que o risco cardiovascular é maior.




O gene da PCR encontra-se no cromossoma 1 ( 1q21-1q23 ). A PCR é constituída por 224 amino-ácidos, tendo uma massa de 25106 Da, apresentando uma forma de disco pentamérico anelar. Na verdade, a PCR é constituída por 10 subunidades ( e não as 5 subunidades características das pentraxinas ) que formam 2 discos pentaméricos com uma massa total de 251060 Da. A PCR sobe a sua concentração sérica nas infecções víricas apesar de essa subida ser menor comparativamente com a subida verificada nas infecções bacterianas.

A PCR pode ser sujeita a glicosilação sendo esta variável com a patologia em causa, sendo o açúcar ligado à PCR diferente com diferente patologia.
Em presença de altos níveis de PCR séricos verifica-se alto risco de doença cardiovascular, hipertensão e diabetes.
A PCR pode ter utilidade na detecção de cancro dado que na presença de inflamação crónica alguns órgãos apresentam um risco maior de malignização.



Concentração sérica elevada de hs-PCR indica risco de patologia cardiovascular tripla da média e nas mulheres foi verificado que concentração elevada de hs-PCR sérica indica risco de patologia coronária em maior grau do que hipercolesterolemia.



A cinética da concentração sérica da PCR é mais rápida do que a da VS: concentração sérica da PCR sobe antes de se verificar aumento da VS e a descida da PCR também é anterior à verificada na VS.




Pode haver uma subida da PCR, sem significado clínico, em pessoas muito obesas, idosos ou quem pratica muito exercício físico. O intervalo de referência da PCR está compreendido entre 2,5 mg/l e 5,0 mg/l. Alcoolismo, sedentarismo, insuficiência renal, hipertensão ou tabagismo são outras situações que cursam com concentrações altas de PCR. Também pode subir a concentração da PCR no soro em situações de fadiga crónica, distúrbios de sono, depressão, gengivite e doença peri-odontal bem como pequenas inflamações locais que cursam com PCR da ordem dos 1.0 - 10.0 mg/l.
A concentração sérica da PCR facilmente ultrapassa os 200 mg/l em situações de sépsis.




À medida que o tratamento vai tendo efeito a concentração sérica da PCR vai diminuindo e por essa razão quando passadas 48-72 horas de antibioterapia a concentração da PCR se mantém, não diminuindo, temos de pensar que o antibiótico não está a ter efeito e deverá ser substituído.



No diagnóstico e follow-up de uma inflamação utiliza-se o hemograma com contagem de leucócitos e o doseamento da PCR, sendo que esta tem uma fiabilidade superior visto os valores apresentarem uma subida e descida mais rápida em consonância com o estado da infecção. No entanto, a regra geral, é a utilização das 2 análises em simultâneo.



A concentração da PCR, nas doenças inflamatórias crónicas, é elevada mas, ao contrário das inflamações agudas, como infecções bacterianas em que se verificam valores 20-30 vezes os valores normais, nas infecções crónicas a subida é moderada e ligeira sendo que a concentração da PCR no soro pode ser considerado um parâmetro de actividade da doença.
Importante referir que a actividade do LES não costuma ter boa relação com a concentração da PCR.



A alteração da PCR não é sempre verificada nas situações de neoplasias e nos casos em que se verifica essa elevação é baixa e de difícil distinção da causada por outras situações patológicas. Uma subida inexplicável de PCR pode apontar para recidiva de cancro previamente tratado. Concentrações persistentemente elevadas verificam-se em casos de mieloma múltiplo e linfomas mais agressivos, sugerindo um prognóstico pior e uma menor sobrevivência.




Concentrações de PCR sérica da ordem dos 10-40 mg/l verificam-se em casos de infecções virais enquanto que nas situações de infecções bacterianas as concentrações séricas da PCR são bem mais elevadas sendo da ordem dos 50-200 mg/l, podendo, desta forma, a concentração da PCR ser usada como indicador de necessidade de antibioterapia com uma sensibilidade de 55%.






A VS é um exame que mede de forma indirecta a produção de fibrinogénio


O enfarte do miocárdio acontece, não porque necessariamente se faz a oclusão total da artéria afectada mas sim quando substâncias que resultam das reacções inflamatórias que se processam no interior da placa de ateroma digerem a cápsula protectora provocando a formação de coágulos que se desprendem e são levados pela corrente sanguínea.




O álcool tem efeitos dispares sobre a PCR: verifica-se que pessoas que não ingerem qualquer quantidade de álcool apresentam concentrações de PCR mais elevadas, sendo que estes níveis baixam nos indivíduos que ingerem quantidades moderadas diariamente ( 2-3 copos de vinho ), voltando a subir a concentração de PCR, de forma apreciável, nas pessoas que exageram no consumo de álcool diarimente.






Proteínas de fase aguda são as proteínas de síntese hepática que aumentam ou diminuem a sua concentração pelo menos 25% nos primeiros 7 dias após a lesão tecidual se verificar. As proteínas que apresentam uma subida das suas concentrações séricas são proteínas de fase aguda positivas incluindo a PCR, substância amilóide A sérica, haptoglobina e fibrinogéneo. Proteínas de fase aguda negativas são as proteínas que apresentam uma descida da sua concentração sérica e incluem a albumina, transferrina e TTR ( pré-albumina ).






Várias citoquinas influenciam a produção das proteínas de fase aguda como sendo IL-6, IL-1, IL-11, α-TNF, β-TGF, γ-interferão, factor inibidor da leucemia ( LIF ) ou factor de crescimento epidermal.
O doseamento das proteínas de fase aguda, também chamado de “provas de actividade inflamatória “ tem sido usado com o seguinte objectivo:
  • distinguir entre inflamação e patologia não inflamatória
  • fazer o diagnóstico diferencial entre
  • infecção viral vs infecção bacteriana
  • infecção vs actividade de doença auto-imune
  • infecção vs rejeição de transplante
  • determinar a extensão e actividade da inflamação e fazer o follow-up e resposta terapêutica

Com a introdução de técnicas de alta sensibilidade, também se usam estas proteínas na determinação do risco cardiovascular e no diagnóstico precoce de disfunção renal.




A inflamação está relacionada também com a etapa inicial, importante na patogenia da angina instável e do enfarte do miocárdio. O tampão fibroso protector do rompimento da placa de ateroma é degradado pelas metaloproteinases produzidas pelos macrófagos, monócitos e linfócitos T. O tampão fibroso diminuindo torna a placa mais vulnerável sendo levada à ruptura.




A PCR, que é um marcador inflamatório, também participa activamente no processo aterogénico. A PCR, que se localiza no interior da placa aterosclerótica, joga um papel importante na vulnerabilidade dessa placa e tem também importante acção na reestenose pós-angioplastia. Um gradiente de PCR se verifica na circulação coronária distal e proximal à placa.



A hs-PCR tem uma boa capacidade de prever a diabetes mellitus tipo II, situação patológica que compartilha alguns mecanismos inflamatórios com a aterosclerose.
Evidências apontam para que a hs-PCR tenha a capacidade de ser um marcador no rastreio das crianças em risco de, quando adultas, sofrerem doença coronária.




A hs-PCR tem a capacidade de prever eficazmente a mortalidade pós-enfarte, mesmo nos casos dos doentes terem sido tratados precocemente com revascularização coronária. A hs-PCR tem valor prognóstico, a curto e longo prazo, em situações de angina instável e pós-enfarte sendo controversa a interpretação da informação sobre o prognóstico na fase aguda do enfarte, propondo-se que a determinação da hs-PCR no soro deve ser realizada após o final da reacção inflamatória aguda do enfarte de modo a que os níveis doseados tenham regressado aos valores basais e os representem.

quarta-feira, novembro 18, 2015

Resumo estatístico do 3º ano do blogue

Resumo estatístico do 3º ano do blogue


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quinta-feira, outubro 29, 2015

Questionam-se os efeitos a longo prazo dos transplantes de material fecal

Questionam-se os efeitos a longo prazo dos transplantes de material fecal


Transplante de material fecal é uma terapêutica, cada vez mais popular, e no tratamento de C.difficile tem vindo a aumentar o seu uso,

Sustentada irradicação de C. difficile tem sido proporcionada pelo transplante de material fecal em crianças que não apresentam DII. A diversificidade da flora microbiana colónica é restaurada, pelo transplante de material fecal, nas crianças que não padecem de DII. Já nas crianças com DII, a diversificidade bacteriana retorna, por volta dos 6 meses após o transplante, aos níveis anteriores a esse transplante, o que sugere que mecanismos individuais dos doentes com DII alteram a diversificidade da microbiota fecal.
Verifica-se que a infecção por C. difficile se associa a uma diversificidade da microbiota intestinal diminuída, que após o transplante do material fecal é restaurada. Crianças com DII apresentam uma subjacente disbiose, estando mais susceptíveis à infecção pelo C. difficile.
Nos doentes com DII identifica-se um aumento de Fusobacteria, comparativamente com indivíduos sem DII, aos 6 meses pós-transplante de material fecal. Fusobacteria spp, e particularmente Fusobacterium nucleatum, foram encontrados em doentes sofrendo de DII e associados a carcinogénese.

Pensa-se que seja devido à diminuição da microbiota, que doentes com DII apresentam um maior risco de infecção por C. difficile. Verifica-se que este ciclo é quebrado nos adultos pelo transplante do material fecal.



Microbiota pode prever o estado mutacional do cancro do cólon

Microbiota pode prever o estado mutacional do cancro do cólon


Um método, não invasivo, de screening dos tumores do cólon, é a análise da microbiota envolvente desses tumores colónicos, e tem-se mostrado como uma técnica mais sensível e específica do que o teste do sangue oculto.
Este facto, pode ser de grande importância no cancro do cólon, pois cada tumor pode ter um estado mutacional com vários genes mutados e isto pode causar um diferente efeito na microbiota colónica.
Foi verificado que mutações tumorais específicas se associam à presença de bactérias específicas no intestino, tendo-se também verificado que quantas mais mutações estiverem presentes no tumor, maior é a variedade de espécies bacterianas que constituem a microbiota do cólon.

Verificou-se existir, para alguns genes, uma correlação entre as mutações somáticas e alterações na abundância das bactérias específicas.

Níveis altos de utilização energética, pela microbiota, correlacionam-se fortemente com mutação de perda de função, sugerindo que o tumor e as bactérias existentes na vizinhança do tumor competem pelas mesmas fontes corporais. Para a avaliação desta correlação foi criado um índice de risco. Isto sugere, que os tumores do cólon podem ser classificados geneticamente a partir das amostras fecais, o que, pelo menos teoricamente, pode possibilitar a manipulação do tumor através da manipulação do microambiente que o envolve, e deste modo prevenir, e mesmo tratar, o cancro do cólon. Este facto está, pelo menos em parte, em linha com a hereditabilidade escondida.

Gene vitamina D com dieta hiper-proteica melhora o controlo da glicémia

Gene vitamina D com dieta hiper-proteica melhora o controlo da glicémia


O chamado alelo T, variante genética também designada de alelo aumentador da vitamina D, pode apresentar um aumento à resistência à insulina aquando de dietas hiperproteicas.


Doentes, portadores do alelo T, mostram benefícios superiores no aumento da resistência à insulina, comparativamente com os não portadores do alelo T, quando consomem  dietas hiperproteicas.


As fontes alimentares principais da vitamina D são gorduras e alimentos com alto teor proteico.

Três genes influenciam no metabolismo da vitamina D:
  • DHCR7 : ajuda a sintetizar o colesterol, um dos constituintes da vitamina D
  • CYP2R1 : codifica a enzima que converte vitamina D em 25-OH-vitamina D
  • GC : codifica a DBP, principal proteína transportadora e armazenadora da vitamina D

Alimentos ricos em proteínas como lacticínios, peixe ou carne, esta menos do que os 2 primeiros, são as melhores fontes naturais de vitamina D. Para além destas fontes alimentares, proteínas dietéticas e amino-ácidos, têm uma acção importante na regulação do metabolismo da glicose e da resistência à insulina.


Nutrientes de alimentos hiperproteicos podem afectar a função do DHCR7 que, por seu lado, influência os níveis da vitamina D e  a resistência à insulina.

Anti-oxidantes podem promover metástases no melanoma

Anti-oxidantes podem promover metástases no melanoma

Existem dados preliminares sugestivos de, pelo menos no caso do melanoma, anti-oxidantes poderem promover a progressão do tumor pela promoção das metástases.

Estes dados iniciais, sugerem que os benefícios que as células cancerígenas obtêm dos anti-oxidantes, são superiores aos obtidos pelas células normais. Verifica-se que as células do melanoma metastizado experimentam um muito alto nível de stress oxidativo, que por sua vez leva à morte da maioria destas células neoplásicas. Assim, o stress oxidativo limita as metástases à distância das células do melanoma. Com a administração dos anti-oxidantes, verifica-se que a maioria das células de melanoma metastizantes são capazes de sobreviverem e aumentar a doença metastizada.

As células neoplásicas fazem a adaptação conseguindo assim superar o stress oxidativo. Terapêuticas que façam aumentar o stress oxidativo podem ser desenvolvidas visto que, pelo menos teoricamente, a metastização se torna mais difícil de acontecer.

Teste de troponina I de alta sensibilidade

Teste de troponina I de alta sensibilidade


O uso da hs-TnI pode excluir, de forma rápida e segura, doentes com enfarte de miocárdio em cerca de um terço dos doentes, sem necessidade dos testes seriados de troponina I.

61% dos doentes sem enfarte de miocárdio tipo I ( necrose do miocárdio à entrada no hospital ou evidência de isquémia cardíaca dada pelo ECG ) são diagnosticados por doseamento da concentração de troponina I, sendo esta inferior a 6 ng/l ( 6 pg/ml ).


O doseamento da hs-TnI apresenta um valor preditivo negativo da ordem dos 99.6%, não sendo verificadas alterações dependentes do sexo, idade, factores de risco cardiovasculares ou história de patologia cardíaca. O valor preditivo negativo é apenas influenciado pelo intervalo de tempo decorrido entre o início da sintomatologia e a apresentação do doente na urgência, tendo-se verificado que o valor preditivo negativo diminui para 97.6% quando esse intervalo de tempo é de 2 horas após o início da dor retroesternal.

quinta-feira, outubro 01, 2015

Mongersen

Mongersen



Actividade reduzida da β1-TGF, devida a altos níveis do seu inibidor de sinalização SMAD7, caracteriza a inflamação relacionada com a doença de Crohn.
A droga mongersen tem acção sobre SMAD7 ileal e colónica e demonstrou, em trabalhos preliminares, ter a capacidade de ser eficaz, apresentando resultados clínicos positivos em 58-72% dos casos com uma diminuição de mais de 100 pontos no CDAI.

A doença de Crohn  é uma DII, crónica, que afecta principalmente a região ileocecal ( 50% dos casos de doença de Crohn ). No ínicio da doença, a maioria dos doentes mostram lesões inflamatórias que podem evoluir para estenoses e fístulas, com o tempo. Imunossupressores e drogas anti-αTNF podem atingir a cura da mucosa, mas verifica-se que mais de um terço dos doentes são refratários a estes tratamentos. Com o tempo a eficácia do tratamento pode decrescer e podem surgir efeitos laterais graves.
Diminuição anormal da actividade da β1-TGF, uma citoquina imunossupressora, provocada pelo aumento de uma proteína intracelular que se liga ao receptor da β1-TGF, a SMAD7, impede a sinalização que associa a β1-TGF e SMAD, sendo este facto o que caracteriza a inflamação intestinal associada à doença de Crohn. Assim, verifica-se que SMAD7 é um potencial alvo para a inflamação existente na doença de Crohn.


Mongersen tem a capacidade de hibridizar com o mRNA do SMAD7, facilitando a degradação do RNA mediada pela Rnase H, um clássico mecanismo anti-sinalizador.

Mongersen, que é libertado na parte terminal do íleo e no cólon ascendente, não apresenta, por este motivo, efeitos significativos nos doentes com atingimento de outros locais, como o estômago, delgado proximal, cólon transverso e descendente ou sigmóide.
A administração de mongersen acompanha-se de diminuição de IL-8 e α-TNF plasmáticos.
Mongersen é uma droga bastante segura, causadora de poucos efeitos laterais, surgindo estes em cerca de 5% das situações e sendo estes, no geral, complicações da sintomatologia da doença de Crohn. Os efeitos laterais causados por mongersen são leves e, até à data, não foram reportados casos de mortes secundárias à administração de mongersen.
Mongersen tem um início de acção rápido e o efeito mostra-se durável no tempo.





## Ileíte de Crohn frequentemente se associa com uma concentração normal ou baixa de PCR ##

O valor basal da PCR não afecta a indução da remissão da doença de Crohn.
Diminuição da capacidade de manutenção de uma resposta contra-reguladora eficiente da β1-TGF ao estímulo inflamatório, pensa-se que tenha influência na patogénese da doença de Crohn.

Quando a administração de mongersen é feita por via sistémica, os locais principais de acumulação são o fígado e os rins. Na administração por via oral de mongersen, detecta-se a droga no fígado e nos rins, mas em concentrações da ordem de centenas de vezes inferiores às encontradas aquando da administração subcutânea ou IV.
O efeito terapêutico de mongersen requer a diminuição do SMAD7, bem como o restabelecimento da supressão que depende do β1-TGF em muitos tipos celulares.

Há necessidade de investigar o potencial risco aumentado de estenoses pelo uso de mongersen, uma vez que β1-TGF tem um efeito pró-fibrinogénico. Até hoje, mongersen apresenta-se com eficácia na doença de Crohn em fase activa.
Os efeitos laterais do mongersen ocorrem de modo variável com a dose ministrada, variando entre os 49% e os 62%, sendo o efeito lateral mais frequente as dores abdominais ( 10 - 12% ), agravamento da doença de Crohn ( 10 - 15% ), infecções urinárias ( 5 - 15% ) e subida do PCR ( 5 - 9% ).



Após a tradução, SMAD7 é também regulado pela acetilação dos resíduos lisina. A acção da enzima histona desacetilase ( HDAC ) na desacetilação de SMAD7 leva a uma maior degradação de SMAD7, com consequente sinalização de β1-TGF desreprimida. No entanto verificou-se que inibidores de HDAC, como por exemplo o butirato ( substância produzida pela microbiota fisiológica colónica ) têm sido relacionados com a diminuição da inflamação colónica imuno-mediada.

HDAC apresenta propriedades anti-fibróticas. Em doentes com DII, terapêuticas inibidoras de HDAC podem ser potenciadas pela administração de mongersen, dada a capacidade de mongersen diminuir a tradução do SMAD7
Verifica-se haver hiperexpressão de SMAD7 nas células T e células epiteliais na DII; também nas células T, células epiteliais na DII e nos macrófagos, agem como inibidores de HDAC os ácidos gordos de cadeia curta, como o butirato. Acetiltransferase p300 é hiperexpressado na DII e promove a acetilação SMAD7 e a sua estabilização.
Teoricamente, os inibidores HDAC deveriam aumentar, e não diminuir, SMAD7 visto a acetilação de SMAD7 nos resíduos da lisina prevenir a ubiquitinação.

SMAD 7 ====> actividade β1-TGF


Mongersen é um oligonucleotídeo que tem como alvo mRNA do SMAD7, causando assim diminuição dos níveis proteicos do SMAD7. Nos doentes com doença de Crohn, a inflamação intestinal está aumentada, dado que há uma interferência dos níveis aumentados de SMAD7, que se verificam,  com o β1-TGF e a sua via anti-inflamatória intestinal.

Verificou-se que o efeito de mongersen se prolonga por 3 meses, intervalo de tempo muito superior ao observado com outros anti-inflamatórios.


Estudos apontam para que o desbloqueio da sinalização do β1-TGF, com tratamento por mongersen em ciclos curtos, seja capaz de restaurar o processo imunorregulador, permitindo uma remissão duradoura. 

sexta-feira, setembro 25, 2015

Troponina I de alta sensibilidade acelera a triagem do enfarte do miocárdio

Troponina I de alta sensibilidade acelera a triagem do enfarte do miocárdio

O doseamento da concentração de  hs-TnI tem a capacidade de excluir, de maneira rápida e fácil, os doentes de baixo risco. Este teste tem muito bom valor preditivo negativo.


O doseamento da concentração do hs-TnI tem a capacidade de, rapidamente, diagnosticar cerca de 50% dos doentes que se apresentam com enfarte de miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST, seja por diagnosticar os doentes com enfarte do miocárdio, seja por fazer o diagnóstico como doentes com um risco de doença cardíaca muito baixo. Os restantes cerca de 50% dos doentes deverão ser estudados com outros testes, com a finalidade de esclarecer a situação clínica cardíaca.

A principal vantagem destes novos testes de troponina I de alta sensibilidade é o tempo, sendo que a decisão pode ser feita 1 hora após a apresentação. Se as determinações de hs-TnI, tanto à admissão como após 1 hora, forem negativas, os doentes podem ser excluídos de forma segura, o que se revela uma grande melhoria em comparação com os testes clássicos de troponina cardíaca.

Estes novos testes de alta sensibilidade usam valores de cutoff muito inferiores aos usados com os testes convencionais para resultado positivo. Usa-se a concentração de 6 ng/l como cutoff e um delta absoluto das concentrações de 12 ng/l entre as determinações feitas à entrada e 1 hora após a admissão, enquanto que os testes tradicionais usam um cutoff de 27 ng/l ( percentil 99 de uma população referência saudável ).

Foi demonstrado que o melhor valor de cutoff para a concentração sérica da hs-TnI é de 6 ng/l,  concentração significativamente inferior ao valor utilizado pelas técnicas clássicas.
Com o valor de cutoff de 6 ng/l, a técnica de hs-TnI apresenta um valor perditivo negativo de 99.2-99.7 % e um valor perditivo positivo de 80.4-81.5 %.

A mortalidade aos 6 meses nos doentes excluídos do diagnóstico, foi determinada como sendo de cerca de 0.79 %, usando-se os testes de alta sensibilidade e um cutoff de 6 ng/l, o que compara, com uma mortalidade de 1.73 %, quando utilizamos uma técnica clássica de doseamento de TnI e um cutoff de 27 ng/l.

Também se verificou que, numa população sem patologia cardíaca conhecida, utilizando o cutoff de 6 ng/l ( hs-TnI ), foi capaz de se diagnosticar mais mortes cardiovasculares do que com o uso do cutoff de 27 ng/l ( cTnI ) tanto num follow-up de 1 ano como de 5 anos.